Artigos, Notícias › 11/10/2016

12 de outubro: pensar no direito como melhor presente

milton_dantasMilton Dantas da Silva
Coordenador estadual da Pastoral da Criança

 

“Um dia, uma criança me parou…” como muitas crianças nos param nos caminhos da vida para reclamar dos maus caminhos que muitas vezes traçamos na condição de adultos trancafiados nas mesmices de homens e mulheres que já passaram no tempo e não vivenciaram o ser criança em sua plenitude. Esta mesma criança tem voz num sentimento de reclame, e deseja ser vista, ser ouvida em seus lamentos, em sua ambição de galgar espaços ainda não vivenciados em seus sonhos pueris.

“Olhou-me nos meus olhos, e, a sorrir…” disse tudo, num inebriante ar de pureza, de lealdade e de desempenho de atitude própria de criança, aquilo de que dispunha no momento de encontro criança-adulto, talvez fraqueza-fortaleza, encontrando jeito de dizer em sorriso, o que pensa, o que deseja, o que sabe em profundidade de fantasia. Esta mesma criança olha e, escondendo nos lábios e olhos este sentimento, recorre ao mundo que se salvem os caminhos traçados por ela em sua mais singela forma de se conduzir.

“Caneta e papel na sua mão, tarefa escolar para cumprir…” fazem seus instrumentos parecidos do mundo adulto, porém com sua mais intensa fantasia de construção do mundo que há de vir, pintando e repintando o pedido feito, adentram às escolas da vida, num tilintar de cores e formas que dançam em sua imaginação fazendo viva a vida que está dentro de cada uma. São crianças, são imagens construídas, são fontes colocadas em prática da mais densa maneira de mostrar ao mundo que é possível sonhar e ser feliz notória e eficazmente.

“E perguntou, em meio de um sorriso, o que é preciso para ser feliz?” E nós, homens e mulheres, construtores de sonhos reais, o que dizemos a este interrogatório de uma frase só? Sabemos da felicidade? Onde mora? Quais seus ingredientes? Uma pergunta de frase só gera um amontoado de questionamentos que, muitas vezes, adultos não conseguem dar respostas por serem internos demais, por serem difíceis demais para o alcance do dizer de um adulto a um mundo infantil. Perguntas de crianças são mais difíceis de responder. Precisam de palavras, mas, muito mais, de atitudes que lhes confirmem a realidade vivida.

Lembra do que dizíamos, quando uma criança nos perguntava sobre sua vinda ao mundo? Fazíamos rodeios e a colocávamos no bico de uma cegonha. Tudo bem! Talvez aí estivesse o nosso pensamento a povoar imagens e carregá-la ao cume da imaginação primeira: voar…voar, subir… subir… Mas, hoje, temos um sonho palpável demais para nos inquietar e trazer esta mesma criança a nascer feliz, numa família feliz, em 270 dias bem preparados, como berço real da vida: a barriga da mãe. Temos uma situação concreta a revelar um sonho de uma terra onde corre leite e mel e onde o leite seja exclusivo no peito até os seis meses de idade, em seus 365 dias, primeiro ano de vida. Temos um caminho em direção ao cume da montanha construída em alicerce firme: + 365 dias, segundo ano de vida. Continha básica que transforma vida – 270 + 365 + 365 = 1000 dias. Nestes primeiros mil dias de vida está a diferença. Se acompanhada com plenos direitos, com indicadores de saúde e indicadores de oportunidades e conquistas alcançados, fácil será responder às suas indagações em torno da felicidade.

Assim, recordar é viver a imaginação, voltar no tempo e relembrar: “um dia uma criança me parou, olhou-me nos meus olhos, e, a sorrir, caneta e papel na sua mão, tarefa escolar para cumprir… E perguntou, em meio de um sorriso: O que é preciso para ser feliz? E nós, adultos, ficamos a pensar que é preciso sair da imaginação adulta e adentrar aos direitos reais da criança e comemorarmos o 12 de outubro, dando-lhe o melhor presente: crescimento em idade, graça e sabedoria, diante de Deus e diante da humanidade que tudo recebe, mas nem tudo dá a quem precisa de direitos.

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