Comentário litúrgico › 11/08/2014

19º Domingo do Tempo Comum – Coragem! Não tenhais medo!

O evangelho de hoje quer tomar-nos pela mão e conduzir-nos a uma renovada profissão de fé junto aos apóstolos, os quais, tendo visto cessar improvisamente o vento que agitava as águas do lago, se prostraram diante de Jesus e exclamaram: “Tu és verdadeiramente o Filho de Deus!” (Mt 14,33). Esta fé é a nossa vitória.

Como podemos reviver a experiência entusiasmante dos apóstolos? Como podemos hoje encontrar Jesus? O evangelista Mateus nos responde narrando-nos um episódio, no qual o chamamento à fé é forte como o vento da Galiléia que sopra sobre a pequena barca dos apóstolos. Para entender o sentido da narração devemos ter presente que esta foi escrita depois da ascenção de Jesus ao céu. Os apóstolos já provavam as primeiras perseguições e encontravam as primeiras dificuldades.

Dirigindo-se àqueles homens que encontravam-se assustados por causa da agitação das ondas sobre o barco, Jesus lhes diz: “Coragem! sou eu, não tenhais medo!” (Mt 14,27). Esta cena se repete constantemente em nossas vidas. Deus está sempre ao nosso lado e nós, porque não o percebemos, gritamos em nosso desespero; Deus está salvando e nós nos lamentamos dele porque não sabemos reconhecer o calor de Sua mão que nos conduz. Quantas vezes vemos fantasmas na vida porque as tribulações nos impedem de enxegarmos o Deus vivo e verdadeiro. Mas Ele nos diz: “Coragem, não tenhais medo!”. Deus, de fato, combate o medo e vem infundir em cada um de nós a segurança de uma presença plena de amor.

No mundo hodierno predomina o medo a tal ponto que, talvez, a nossa época pode ser definida como a época dos grandes medos: medo de si, medo de crescer, medo da solidão, medo da família, medo do sacrifício, medo do empenho, medo da fidelidade, medo da guerra, medo do futuro…! Nós cristãos somos chamados a vencermos o medo em nome da fé. Sozinhos é impossível, mas tudo é possível naquele que nos fortalece.

“Homem de pouca fé” (Mt 14,31). Este homem de pouca fé é cada um de nós (homens e mulheres). Nós, de fato, não somos fáceis de nos convertermos à fé. Sofremos pelos nossos medos, mas continuamos apegados à causa dos nossos medos: a falta de fé.

Observemos o comportamento de Pedro. Ele, quase desconfiando do Senhor, diz: “Se és tu, manda que eu vá ao teu encontro sobre as águas” (Mt 14,28). O pedido de Pedro é um pedido absurdo. Esse nasce da dúvida e do medo e busca uma resposta pretensiosa. Não é assim que tantas vezes fazemos? No entanto, vale lembrar que o nosso diálogo com Deus deve ser abandono sereno e invocação da única coisa necessária: “Senhor, venha o Teu reino! Seja feita a Tua vontade!”.

Pe. Edilson Soares Nobre

Vigário geral da Arquidiocese de Natal

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