Comentário litúrgico › 08/09/2014

23º Domingo do Tempo Comum – Cada um de nós é sentinela para o irmão

Na primeira leitura deste domingo o profeta Ezequiel nos dá um preciso ensinamento: “Quanto a ti, filho do homem, eu te constituí sentinela em casa de Israel. Logo que ouvires alguma palavra de minha boca, tu os advertirás de minha parte” (Ez 33,7). Cada um de nós é sentinela para o irmão. Devemos, então, ter o olhar atento para descobrir a necessidade do próximo; devemos ter um coração hospitaleiro para acolher os seus problemas, devemos ter as mãos prontas para socorrê-lo com amor compassivo.

Quantas vezes nós lamentamos porque Deus não intervém para resolver determinadas situações, mas na verdade não é Deus a faltar: somos nós que somos indiferentes; sou eu… que não vejo e não sinto compaixão do meu irmão! Amar os irmãos significa assumir até o fim a preocupação com o bem deles. E querer bem significa, às vezes, também a decisão de dizer coisas incômodas, mas necessárias para corrigir o irmão e reportá-lo na via do bem. O que é decisivo é que cada correção nasça do amor. De fato, se a palavra vem do coração, chega ao coração e consegue fazer entender sem ferir.

“Se o teu irmão pecar, vai corrigí-lo a sós contigo” (Mt 18,15). Jesus nos dá o mesmo ensinamento do profeta Ezequiel, delineando uma intervenção para socorrer o irmão que “comete uma culpa”. O primeiro passo é o gesto delicado do colóquio. Um colóquio que deve permanecer secreto, até que o irmão possa perceber claramente que o nosso passo nasce da preocupação de ajudá-lo a retornar para o caminho de Deus. Procuremos entender bem porque Jesus disse: “vai corrigí-lo a sós contigo”. Antes de tudo, pelo respeito que devemos ter para com a dignidade do nosso irmão. Nesta lógica de autêntica compaixão nos confrontos do irmão que “comete uma culpa”, há também outra coisa que precisamos absolutamente evitar: é a divulgação choca e malígna da culpa do irmão.

“Se não te ouvir, porém, toma uma ou duas pessoas” (Mt 18,16). A estratégia proposta por Jesus nasce do amor autêntico. Esta norma de Jesus pode haver muitíssimas aplicações, desde que parta sempre do amor. Compete a cada um de nós, à luz da Palavra do Senhor, inventar cada possibilidade para tirar do pecado aquele irmão que caiu! Jesus acrescenta: “Caso não lhes der ouvido, dize-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvidos, trata-o como gentio ou publicano”. (Mt 18,17). Estas palavras parecem severas, mas não é assim. Jesus simplesmente não aceita e não pode aceitar que na sua comunidade as pessoas se acomodem ao pecado. É claro que diante de graves ofensas contra a caridade e contra a verdade, a Igreja deve intervir por meio das pessoas que, para o bem delas, exercitam o indispensável serviço de guia.

A conclusão do Evangelho deste domingo é, de fato, impugnativa. A indiferença não é e não será nunca uma virtude. A preocupação pela salvação eterna deve levar-nos a usar cada estratégia para salvar o irmão que se distanciou da via do Senhor.

Pe. Edilson Soares Nobre

Vigário geral da Arquidiocese de Natal

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