Comentário litúrgico › 04/08/2014

A contemplação gera a ação concreta – 18º Domingo do Tempo Comum

Observa o evangelista Mateus: “Jesus partiu e foi de barco para um lugar deserto e afastado” (Mt 14,13). E, depois da multiplicação dos pães, o evangelista registra: “Tendo despedido as multidões, Jesus subiu ao monte, a fim de orar a sós” (Mt 14,23). Este era o comportamento constante de Jesus. Se Ele, o Filho de Deus, sentia a necessidade do silêncio, quanto mais nós homens e mulheres. Somos carentes desta experiência, mas nem sempre nos damos conta por causa do agito e do barulho constante da sociedade hodierna. Gandhi, mesmo não sendo cristão, entendeu tudo isto e honestamente declarou: “A oração me salvou a vida. Sem ela eu seria louco há muito tempo”. A contemplação gera a ação. O silêncio não tem um fim em si mesmo: o silêncio é comunhão com Deus e, portanto, é enriquecimento para melhor viver, para melhor amar, para melhor servir.
Aprendamos com Jesus: o Mestre! Depois da oração nós o encontramos aberto aos outros. A sua oração, de fato, é um trunfo no fogo do amor do Pai que o leva ao dom e à compaixão. Entremos no coração do Evangelho de hoje e constataremos o que acabamos de dizer: quando Jesus desce da barca, depois de um prolongado tempo de silêncio, encontra uma grande multidão que o espera; ele então se comove e exprime no milagre toda a sua misericórdia. Acontece assim também conosco? A nossa oração dá estes frutos? Quando nós saímos da oração, nos sentimos ardentes do Amor de Deus que leva à infinita caridade? Depois da participação da santa Missa nos queima no coração a Paixão de Cristo e o desejo de dar a vida junto a Ele?
Eis, portanto, o movimento da autêntica oração: silêncio para recolher-se; recolhimento para rezar; rezar para amar com a mesma força do Amor de Deus. Se a oração não desemboca em amor, algo não vai bem!
Por trás do milagre. Jesus, ao realizar o milagre da multiplicação dos pães segue um percurso que contém um grande ensinamento. Ele, de fato, antes do milagre exige a contribuição “humana” dos cinco pães e dos dois peixes, e somente sobre esta contribuição ele entra o com o peso do seu amor onipotente. Qual a lição que se esconde por trás deste comportamento do Mestre? Ele com clareza nos diz que não devemos esperar de Deus aquilo que Deus nos deu como responsabilidade. Se falta a contribuição da nossa condivisão e da nossa generosidade, negamos o espaço para a manifestação do poder de Amor de Deus. Apliquemos à situação de hoje esta mensagem de Jesus. Hoje o mundo é dividido de modo escandaloso entre ricos e pobres. O que falta nesta sociedade para garantir a todos o pão de cada dia: uma intervenção de Deus, ou uma mudança no coração dos homens? Deus já colocou em nossas mãos a chave que resolve o problema: chama-se participação, condivisão, caridade. Isto nos leva ao discurso inicial, ou seja, à oração autêntica, à oração que emerge na caridade de Deus.

Pe. Edilson Soares Nobre

Vigário geral da Arquidiocese de Natal

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