Comentário litúrgico › 13/07/2014

A semente é lançada para todos!

(15º Domingo do Tempo Comum) Is 55, 10-15 / Sl 64 / Rm 8, 18-23 / Mt 13,1-23)

Na liturgia de hoje, Jesus fala do semeador. De quem Jesus está falando? Certamente está falando dele mesmo. Ele é o Semeador! Ele se reconhece naquele gesto antigo do semeador que lança a semente e, pacientemente, espera que ela cresça e frutifique. Do seu coração saíram as palavras da parábola: “Eis, o semeador saiu a semear”. Como é amável e afetuosa esta imagem! Jesus é o divino semeador, que quase a olhos fechados, lança a semente da vida em todas as variedades dos terrenos humanos. Por que Ele lança a semente também no terreno duro e aparentemente improdutivo? A resposta é maravilhosa e desconcertante ao mesmo tempo: Deus bate inclusive no coração que nunca se abrirá. Deus, de fato, oferece amor a todos e fará sempre assim porque o amor puro se move por puro amor e, portanto, não se deixa parar nem mesmo pela frieza e pela ingratidão humana.
“Uma parte da semente cai à beira do caminho…” Jesus faz notar que a semente é igual pra todos, mas o terreno é notadamente diferenciado. Tem o terreno duro e pedregoso: aqui a semente não germina, porque não pode entrar por motivo da inospitalidade radical do terreno. Tem o terreno pleno de espinhos: aqui a semente germina, cresce, mas depois fica sufocada porque existem presenças estranhas que não permitem a maturação da planta. Enfim, tem o terreno bom, limpo, fértil: aqui o resultado está acima de qualquer espectativa, porque na semente lançada há uma potência de vida verdadeiramente extraordinária.
Estas particularidades do terreno dizem claramente que o resultado da semeadura não depende de Deus, mas da escolha do homem. De fato, são as diversas situações do terreno (ou melhor: do coração do homem) que determinam os diversos resultados do plantio.
Nós somos abundantemente iluminados pela semente da Palavra de Deus: é um fato indiscutível. Quantas vezes temos escutado a Bíblia, e, em particular, o Evangelho, nas nossas catequeses paroquiais ou na liturgia, ou na leitura pessoal! Perguntemo-nos: que frutos estas sementes têm trazido e estão trazendo na nossa vida? Nós não podemos nunca dizer no último dia: “Senhor, eu não sabia! Senhor, eu não conhecia a tua vontade! Senhor, eu não tive o dom do Evangelho!” Não. O Semeador se nos apresenta continuamente e lança a semente com a obstinação comovente do amor. E o resultado qual é?
Procuremos nos confrontarmos com as várias possibilidades de terrenos apresentadas por Jesus. Somos um terreno duro e quase vacinado contra o Evangelho? Somos plenos de preocupações inúteis a tal ponto que o Senhor tornou-se como uma breve sequência televisiva que passa sem, porém, dizer nada ao nosso coração? Irmãos! A parábola do Semeador nos interpela urgentemente, para que abramos o coração e deixemos produzir “à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente”.

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