Notícias › 27/02/2015

“Convertei-vos e crede no Evangelho”

No melhor desejo de uma fecunda vivência quaresmal, preparando-nos para a Páscoa do Ressuscitado, creio que seria útil para todos nós meditarmos as “doenças espirituais, sugeridas pelo Santo Padre, o Papa Francisco. No dia 21/12/2014, no encontro de Natal com os superiores da Cúria Romana e com aqueles que lá trabalham, o Papa Francisco elenca 15 “doenças” na Igreja; inspirado nos Padres do Deserto, que não se cansavam de convidar à austeridade de vida e à pureza dos conselhos evangélicos. Estas doenças são um perigo para cada cristão, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial, e podem atingir seja em nível individual, seja comunitário. Eis as 15 doenças espirituais:

1-A doença do “Sentir-se imortal, imune ou até indispensável”

Complexo dos eleitos; narcisismo.

Remédio: sentir-se pecador e “servos inúteis”.

2-A doença do “martalismo”: a excesso de trabalho

Remédio: sentar-se aos pés de Jesus; Rezar; aceitar repousar, parar.

3-A doença da insensibilidade mental e espiritual, própria de quem possui um coração de pedra, perdendo a sensibilidade humana, tornando-se máquinas de práticas, e não homens de Deus, que nutrem em si os sentimentos de Cristo Jesus.

4-A doença do excesso de planejamento e do funcionalismo; causando-nos o perigo de tornar-nos um contador ou um comerciante, mas, sobretudo, caindo na tentação de impedir e calcular a liberdade do Espírito Santo, que é sempre maior do que nós mesmos.

5-Doença da má coordenação: acomete os membros da Igreja que perdem a comunhão uns com os outros e se convertem em uma orquestra que produz ruídos porque não vive o espírito de equipe.

6-A doença do “Alzheimer espiritual”: esquecer a própria história de salvação, do “primeiro amor” com o Senhor, nos torna incapazes de desenvolver uma atividade autônoma, “vivendo num estado de absoluta dependência da visão própria, o mais das vezes imaginária”, e dependendo somente do próprio presente, escravos dos ídolos talhados por nossas próprias mãos.

7-A doença da rivalidade e da vanglória ou vaidade, que verifica-se quando a aparência, as vestes com cores chamativas, as insígnias honoríficas tornam-se o objetivo principal da vida, perdendo de vista as coisas essenciais.

8-A doença da Esquizofrenia Existencial, típica de quem vive uma vida dupla, abandonando o serviço pastoral e limitando-se aos afazeres burocráticos, vivendo uma vida dissoluta (devassidão, imoralidade), bastante diversa de quanto estes ensinam aos outros.

9-A doença da fofoca, murmuração e dos tagarelas; doença esta que o papa falou outras vezes; doença definida como “grave”, que transforma pouco a pouco os interessados em “seminadores de sizânia”; “homicidas a sangue frio” a vida dos outros. Doença daqueles que, não ousando falar diretamente, falam pelas costas.

10-A doença da divinização dos superiores, típica daqueles que cortejam os superiores esperando obter favores. Vivem o serviço pensando o que podem obter e não o que de fato devem fazer. Às vezes pode valer também para os superiores, quando cortejam os subordinados para obter a submissão.

11-A doença da indiferença para com os outros, quando se pensa somente em si mesmo perdendo a sinceridade e o calor das relações humanas; e, por exemplo, sente-se feliz quando vê o outro cair, invés de ajudá-lo a levantar-se.

12-A doença do rosto fúnebre (cara de enterro), isto é, daqueles que pensam que ser sério significa ser sempre profundamente triste, apático, e ter um rosto severo. Esquecem que a severidade teatral e o pessimismo estéril são geralmente sintomas de medo e insegurança. O apóstolo deve ser Cortez, alegre, entusiasta e pleno de bom humor.

13-A doença do acumular, que conduz o apóstolo que se sente vazio, a encher-se de bens materiais não por necessidade, mas para sentir-se seguro. O nosso acúmulo (nossas tralhas) são um sinal evidente dessa necessidade de segurança.

14-A doença dos círculos fechados, nos quais a pertença a estes grupinhos torna mais forte do que a pertença ao inteiro Corpo, e, às vezes, as Cristo mesmo.

15-A doença do proveito mundano e do exibicionismo, típica de quem transforma o próprio serviço em poder; e o poder para obter proveitos mundanos; exibição em público, jornais, revistas.

Pe. José Nazareno Vieira da Nóbrega

Vigário Episcopal para o Clero e Reitor do Seminário de São Pedro

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