Voz do Pastor › 15/07/2017

16 de julho: Martírio de Cunhaú

Queridos irmãos e irmãs!

Este ano, a nossa Igreja Particular terá a grande graça da Canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. No dia 15 de outubro, o Santo Padre, Papa Francisco canonizará os trinta mártires, homens e mulheres, jovens e meninos que, acompanhados dos padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, deram o seu sangue porque se mantiveram firmes na fé católica.

No próximo dia 16 de julho, comemoramos o martírio acontecido em Cunhaú, no município de Canguaretama. Tudo aconteceu ainda na primeira metade do século XVII (1645), vários cristãos, sacerdotes e leigos, homens e mulheres, jovens e meninos, foram mortos pelo ódio daqueles que naquele tempo dominavam a região do Rio Grande do Norte. O ódio à fé levou alguns a massacrarem os católicos nas nossas terras potiguares: em 16 de julho, o morticínio de Cunháu, no município de Canguaretama, onde o Pe. André de Soveral, após a elevação do Corpo e Sangue de Cristo, com as portas da capela de Nossa Senhora das Candeias, trancadas, foi morto, com cenas de violência, intolerância e atrocidade.

O Papa Francisco, na homilia da Liturgia da Palavra com a Comunidade de Santo Egídio, em memória dos “novos mártires” do século XX e XXI, no dia 22 de abril deste ano, na Basílica de São Bartolomeu, em Roma, assim afirmava: “A recordação destas heroicas testemunhas antigas e recentes confirmam-nos na certeza de que a Igreja só é Igreja se for Igreja de mártires. E os mártires são aqueles que, como nos recordou o Livro do Apocalipse, «vêm da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro» (7, 17). Eles receberam a graça de confessar Jesus até ao fim, até à morte. Eles sofrem, eles dão a vida e nós recebemos a bênção de Deus pelo seu testemunho. E há também tantos mártires escondidos, aqueles homens e mulheres fiéis à força mansa do amor, à voz do Espírito Santo, que na vida de cada dia procuram ajudar os irmãos e amar Deus sem hesitações”.

Os mártires do Rio Grande do Norte são para nós reforço na fé e no compromisso missionário. De fato, com a Canonização nós teremos um grande motivo de revigoramento no nosso caminho de fé. Diante dos desafios e apelos do mundo, nós podemos sempre afirmar: a nossa história tem um precedente forte no testemunho da fé. Os nossos antepassados banharam nosso solo com o sangue porque não hesitaram em proclamar a fé católica. Ao mesmo tempo, vivendo numa sociedade mais aberta à Igreja, somos chamados a dar testemunho de nossa fé. Não derramamos o sangue, mas a exigência de seguimento a Jesus e a doação da vida na missão, exigem de nós entrega e sacrifício. O mundo, hoje, apresenta situações drásticas, calamitosas, e crescem também indiferença, preconceito e intolerância. O mundo despreza os pobres, os imigrantes, alguns não respeitam o planeta, devastam a natureza, não se importam com os que sofrem por causa do grito da terra, e a Igreja é chamada a ser “pobre e para os pobres”. É um apelo que exige coração e determinação, mas é uma via de santidade para todos nós.

Depois de 17 anos da Beatificação, ocorrida em 5 de março de 2000, a Igreja terá 30 novos santos: “Mártires da fé, filhos do Rio Grande, homens e mulheres, jovens e meninos, pelo bom Pastor deram o seu sangue, nossa Igreja em festa, canta os seus hinos”. O nosso canto de gratidão pela solicitude pastoral de Papa Francisco em relação à nossa Igreja Particular e a toda a Igreja no Brasil. Somos uma terra banhada pelo sangue de cristãos que foram testemunhas de fé para todos nós.

 

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