Voz do Pastor › 23/02/2018

A fé que anima a Igreja

Queridos irmãos e irmãs!

No Rito da Comunhão durante a Celebração da Eucaristia nós afirmamos: “não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja”. É necessário sempre refletir sobre a fé da Igreja e reconhecermos que ela anima a sua vida, seja na Profissão da fé, seja na caridade, pois como afirma São Paulo: “a fé age pela caridade” (Gl 5,6). . A fé da Igreja está resumida no Símbolo da Fé, também conhecido como o Credo. Conhecemos, de modo especial, dois modelos de Símbolos da Fé: o Símbolo apostólico e o Símbolo niceno-constantinopolitano. Neles encontramos a Fé exposta para se crer. É a Fé da Igreja. O Simbolo Apostólico, datado dos primeiros séculos, é o Simbolo mais conhecido, usado com mais frequência nas Missas. Segundo uma antiga tradição, quando aconteceu a dispersão dos Apóstolos, cada um teria feito um artigo do Credo e formado uma síntese da fé em Jesus Cristo. Embora não se tenha comprovação histórica desse fato, os artigos do Simbolo Apostólico resumem bem a nossa fé. Já o Simbolo Niceno-constantinopolitano é o resultado do Concílio de Niceia, em 325, e do Concílio de Constantinopla, em 381. Em 325 os bispos católicos se reuniram para combater a heresia de Ário, sacerdote de Alexandria, que afirmava que Cristo não era o Filho eterno de Deus, e sim uma criatura, a mais perfeita, porém, criatura. Os bispos expressaram a fé da Igreja com o chamado “Símbolo de Niceia”, onde expressam a fé de que Jesus Cristo é “consubstancial ao Pai”, isto é, da mesma natureza e eterno como o Pai. E em 381, os bispos se reuniram novamente em Concílio, na cidade de Constantinopla, para reafirmar a fé sobre o Espírito Santo, pois existia nesse tempo a heresia dos que negavam que a Terceira Pessoa divina era apenas um sopro, uma força, e não um ser pessoal. Eles acrescentaram ao Simbolo de Niceia termos que expressavam a fé de que o Espírito Santo era “Senhor que dá a vida, e procede do Pai…”

Mas, a Fé é também celebrada. Na Liturgia, especialmente nos Sacramentos, a Igreja celebra a sua fé. Celebramos a vinda de Deus ao mundo, a manifestação de Deus por meio de seu Filho e do seu Espírito. Esta automanifestação, que é o sentido da Revelação divina (cf. CONCÍLIO VATICANO II, Constituição dogmática Dei Verbum, 2), leva os homens e as mulheres à comunhão com Deus. A automanifestação leva à autocomunicação. É a vida da graça, vida que celebramos na Liturgia.

Muito se falou já da fé como dom de Deus e como resposta do homem. A fé é uma virtude teologal, isto é, com a esperança e a caridade, nos coloca na relação com o próprio Deus. Essas virtudes nos são dadas pelo mesmo Deus. São virtudes infusas. Mas, a fé é uma resposta do homem, ela significa que o homem, ao ser interpelado por Deus é conduzido pelo mesmo Deus a dar uma reposta. Ter fé significa responder a Deus. Como dom de Deus ela não é uma coisa a ser adquirida. A fé é um evento, um acontecimento, uma Pessoa. Na verdade, ela indica uma ação de Deus que se dá a conhecer para se comunicar ao homem e à mulher. Esta autocomunicação de Deus acontece na vida de Jesus e no dom do Espírito Santo. É o que nós afirmamos no Credo, o Símbolo da Fé: creio em Deus Pai, em seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor e no seu Espírito, Senhor que dá a vida. Mas, a resposta do homem não é um artifício intelectual. Ela se dá no amor a Deus e ao próximo. A vinda de Deus, a sua revelação ao povo de Israel e, sobretudo, a manifestação da encarnação do Filho de Deus, Jesus Cristo, aconteceram por causa do infinito amor de Deus pelo homem e pela mulher (cf. Ef 2,4). Deus amou tanto o mundo que enviou o seu Filho (Jo 3,16), e seu envio é para que sejamos resgatados pelo amor. Por isso, a fé como reconhecimento do amor de Deus por nós será sempre uma resposta a esse amor, resposta que se manifesta no amor a Deus, acima de todas as coisas e no amor ao próximo, criado à imagem e semelhança de Deus (cf. Gn 1,26).

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