Voz do Pastor › 28/09/2018

A Igreja é missionária por natureza

Queridos irmãos e irmãs!

Na próxima semana, iniciaremos o mês de outubro, Mês Missionário. Para este ano o tema é: “Enviados para testemunhar o Evangelho da paz” e o lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8). No ano em que as Pontifícias Obras Missionárias (POM) celebram 40 anos de missão, o Mês Missionário evocará o testemunho de tantos missionários e missionárias que construíram essa história. Ao mesmo tempo, olhará para frente, para a realização de um “Mês Missionário Extraordinário”, em outubro de 2019, convocado pelo Papa Francisco, e que terá como tema: “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. O seu objetivo é claro: “despertar em medida maior a consciência da missão ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”.

O Papa Francisco, em seu primeiro documento, a Exortação Apostólica Evangelii gaudium, de 2013, apresentou a necessidade dessa transformação missionaria da Igreja: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à autopreservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de ‘saída’ e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade” (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 27). Como acolhemos esse sonho do Papa Francisco? Temos convicção de que a Igreja se não for missionária ela não é fiel ao seu Fundador? Como ser missionário numa mudança de época como a que estamos vivendo? O nosso Catolicismo é o de Cristo ou da “modernidade líquida”, doente por causa da “retrotopia” ou do “medo liquido”? (cf. Zygmund Bauman). Não é minha intenção desenvolver as ideias do pensador polonês, mas refletir sobre como estamos vivendo a missão.

O Documento de Aparecida, inspirado na renovação eclesial proposta pelo Concílio Vaticano II, na esteira das Conferências Gerais do Episcopado Latino-americano e caribenho, realizadas nos últimos 60 anos (Rio de Janeiro, 1955, Medellín, 1968, Puebla, 1979, Santo Domingo, 1992 e Aparecida, 2007), apontou para todos os católicos do Continente latino-americano e caribenho, o caminho da renovação eclesial tão necessária para o futuro da fé: é preciso sair de uma pastoral de manutenção para uma pastoral decididamente missionária. Isso requer, não só mudança de linguagem, uma comunicação mais aberta, mas também, um conhecimento da fé que se despida dos prejuízos e pressupostos que são inadmissíveis hoje. Não podemos evangelizar incutindo medo ou terror às consciências, apresentando uma mensagem de pavor, de condenação, de caça às bruxas. A mensagem de Jesus e, consequentemente, a da Igreja é sempre essa: “De fato, Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho único…, não para condenar o mundo, mas para o mundo seja salvo por Ele” (Jo 3,16-17). A Igreja deve proclamar que a vontade de Deus é essa: “Ele [Deus] quer que todos sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,4). Mas, não esqueçamos, se proclamamos que a caridade não pode ser inimiga da verdade (Caritas in Veritate – Bento XVI), a verdade sem caridade é tirania (Veritas in Caritate). Não podemos ser missionários de Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, se não somos promotores da paz. Nunca deve sair de nossa boca incitação à violência, à vingança. Diante de tudo isso, nossa atitude, mesmo que seja difícil, deve ser semelhante à do Crucificado: “Pai, perdoai-lhes, eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34). Para que a nossa missão seja continuação da missão de Jesus, é necessário que a misericórdia e a compaixão estejam na base do anúncio cristão. Mesmo que, no fim, sejamos uma minoria, mesmo que percamos “poder”, é justamente aí que se manifestará a beleza da missionariedade, pois agiremos e seremos como Jesus. Há, como eu queria uma Igreja pobre e para os pobres, é o desejo de Papa Francisco. Que sejam os poderosos deste mundo a criticar o Bispo de Roma, mas, sejamos nós a compartilhar esse sonho, pois só assim seremos verdadeiramente “discípulos missionários de Jesus Cristo”: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres” (Lc 4,18), “Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos, aquele que serve a todos” (Mc 9,35).

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