Voz do Pastor › 11/08/2017

A Igreja, mãe da nossa fé

Queridos irmãos e irmãs!

No Evangelho de Mateus, capítulo 13, versículos 54 a 58, encontramos a declaração do evangelista: “E Jesus não fez ali muitos milagres, porque eles não tinham fé”. E em muitos dos milagres sempre a constatação: “seja feita conforme a tua fé”. A fé é a necessária condição para a realização ou o reconhecimento da ação de Deus em nossa vida. Na Igreja podemos vivenciar a beleza da fé, que antes de tudo é dom de Deus.

Na Carta Encíclica Lumen fidei, publicada em 29 de junho de 2013, o Papa Francisco usou uma expressão muito bela, bastante usada nos primeiros séculos da Igreja, e muito atual para a compreensão da missão e da vida da Igreja: a Igreja é mãe de nossa fé (Lumen fidei 37). Ela, a Igreja, gera homens e mulheres para a fé, sobretudo, com a consciência da Tradição. Este é um conceito muito importante na história da Igreja, objeto de reflexão de teólogos importantes do século XX, e o seu significado e sua relação com a Palavra de Deus e o Magistério da Igreja, foi apresentado no Concílio Vaticano II.

O exemplo mais claro do significado da Tradição vemos na expressão de São Paulo, destacada pelo Papa na Encíclica: “transmiti-vos aquilo que recebi” (cf. 1Cor 15,3). A argumentação de São Paulo se dá pela apresentação de dois pontos fundamentais da fé da Igreja: a Eucaristia (1Cor 11) e a Ressurreição do Senhor (1Cor 15). Para nós, fica bastante claro, como nos tornamos responsáveis pela fé: quem se abriu ao amor de Deus, acolheu a sua voz e recebeu a sua luz, não pode guardar este dom para si mesmo (idem, 37). Transmitir a fé, como luz que ilumina os passos da humanidade é o que significa a missão da Igreja que nos gera pela fé para a vida de comunhão com Deus e missão no mundo. A transmissão da fé é uma realidade que passa através do eixo do tempo, de geração em geração.

A fé não é só uma opção individual. Ninguém crer sozinho, recorda o Papa. Citando um dos escritores do século III, Tertuliano, lembra a realidade comunitária da fé e de sua transmissão: de fato, quem crê nunca está sozinho. “Assim o exprimiu vigorosamente Tertuliano ao dizer do catecúmeno que, tendo sido recebido numa nova família, depois do banho do novo nascimento, é acolhido na casa da Mãe para erguer as mãos e rezar, juntamente com os irmãos, o Pai Nosso” (Lumen fidei 39).

A transmissão da fé se dá de forma especial pelos sacramentos. Eles são um meio especial que põe em jogo a pessoa inteira: corpo e espírito, interioridade e relações. Neles, afirma o Papa, comunica-se uma memoria encarnada, onde a pessoa é envolvida num tecido de relações comunitárias (Lumen fidei 40). A fé, por isso mesmo, tem uma estrutura sacramental, pois o despertar da fé passa pelo despertar de um novo sentido na vida do homem e na existência cristã. E isto acontece de modo particular nos Sacramentos da Iniciação cristã.

Ao recomendar a leitura e a meditação da primeira Encíclica de Papa Francisco, quero ao mesmo tempo afirmar a necessidade de todos os agentes de pastoral, ministros ordenados, consagrados e religiosos, a que juntos assumamos o grande caminho de renovação de nossa catequese, a fim de que o dom da fé, luz para a nossa vida, dom que recebemos na Igreja, por sua geração no Batismo, seja a grande força da missão à qual estamos comprometidos.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.