Voz do Pastor › 17/11/2017

A nossa Padroeira e os santos Mártires

Queridos irmãos e irmãs!

Na próxima terça-feira, dia 21, celebraremos o dia de Nossa Senhora da Apresentação, Padroeira da Cidade do Natal e de toda a Arquidiocese. Neste ano, as reflexões da novena em honra de Nossa Senhora da Apresentação giraram em torno do tema: “Maria, Rainha dos Mártires, Senhora da Apresentação”. A intenção é clara: a canonização dos nossos Protomártires, Santo André de Soveral, Santo Ambrósio Francisco Ferro, São Mateus Moreira e seus companheiros, nos ajuda a contemplar a Mãe de Jesus como Rainha dos Mártires. Embora, a Mãe de Jesus não tenha sido martirizada, mas a missão que lhe foi confiada por Deus, a de ser a Mãe do Verbo encarnado, a Mãe do Crucificado por amor, faz de Maria a perfeita discípula do seu Filho.

O discipulado missionário, reproposto pelo Documento de Aparecida (2007), e destinado a todos os batizados, inclusive a todos os cristãos, encontra em Maria a sua perfeita concreção. Ser discípulo/a de Jesus Cristo exige que se carregue a cruz (cf. Mt 16,24; Mc 8,35; Lc 9,23). Não foi diferente para Maria, a Mãe do Senhor. Da Anunciação a Pentecostes, da Imaculada Conceição ao Calvário, da profecia de Simeão ao olhar sofredor da Mãe que vê seu Filho morrer na Cruz, Maria vive as consequências de ser vocacionada ao discipulado, à sequela, a também pagar o preço da graça (Dietrich Bonhoeffer). Maria não é chamada a viver as glórias humanas, ela não diz sim a um projeto de mundanismo espiritual, não se entrega a um deus carrasco e dominador, mas a viver, antes mesmo de seu Filho morrer na Cruz, das dores do sim, dado na liberdade, sustentado na graça amorosa e misericordiosa de Deus.

Maria nos ensina como ser discípulo/a. Tudo começa com um chamado. Deus vem ao nosso encontro para ser o nosso Deus. Quando falamos de “missão”, não entendemos que ela começa em nós mas, antes, Deus é que assume a missão, chamando-nos. A missão fundamental é de Deus. Podemos dizer que Deus vive para se dar, Ele é eterna doação de si mesmo, e cria o homem e a mulher para se dar a eles. E nós existimos como pura recepção. Se a “missão” de Deus é dar-se, a nossa é receber. Mas, não recebemos só para nós. Em Maria vemos claramente esse percurso vocacional: “… Maria, encontraste graça junto a Deus. Conceberás e darás à luz um filho…”. Eis o que primeiro acontece: a graça vem nos encontrar. É uma graça preciosa, mas não a bom mercado (Dietrich Bonhoeffer), isto é, graça dada em previsão do mistério da Encarnação, que é mistério do amor crucificado, mas redentor. Encontrar graça junto a Deus significa viver como Deus: também doação, entrega, gratuidade que chega às últimas consequências da cruz. Por isso, o homem e a mulher, criados à imagem de Deus, são chamados a receber para dar. Deus é puro dar, Ele não recebe de ninguém, por isso, nós só podemos ser criados por Ele como puros recebedores, mas para sermos como Ele: dar, e não para receber, pois o nosso dar se plenifica no que já recebemos, e ao dar não perdemos, pelo contrário, ao recebermos já nos foi garantido que nunca perdemos quando damos o que recebemos.

Assim foi a vida da Virgem Maria. Ela recebeu a graça de estar com Deus, e isso, desde a sua concepção, já atuada como consequência da graça. Em ser a Mãe do Senhor, Maria recebe o que Deus quer dar-nos sempre. E o que Deus quer dar ao homem e à mulher é a imagem de Deus segundo a qual eles foram criados: o seu Filho, imagem do Deus invisível (cf. Cl 1,15), resplendor da glória do Pai e expressão de seu ser (Hb 1,3). Ao dar à luz o seu Filho, Maria dá o que recebe, mas não perde o que recebeu, antes, é envolvida por Ele no mistério de sua vida. Por isso, Ela é a Rainha dos Mártires. Da profecia de Simeão: “Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição – e a ti, uma espada traspassará tua alma” (Lc 2,34-35) ao estar de pé, diante da cruz: “Junto à cruz de Jesus, estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena” (Jo 19,25).

Que o exemplo dos Mártires, autênticos e autorizados discípulos do Senhor, sob o olhar materno da discípula perfeita, Maria, Rainha dos Mártires, anime sempre o nosso testemunho de cristãos e cristãs.

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