Voz do Pastor › 15/09/2017

A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja

Queridos irmãos e irmãs!

Nos meses de setembro e outubro, a Igreja celebra o mês da Bíblia e o mês das missões, respectivamente. Aqui na Arquidiocese também celebramos em agosto o mês do dízimo. Embora sejam temáticas independentes elas estão em perfeita relação. De fato, é a Palavra de Deus que nos apresenta a missão da Igreja como continuação da missão de Jesus Cristo, Palavra eterna do Pai, encarnada na nossa história. A Igreja vive da Palavra e vive para a missão, isto é, por escutar na Palavra que Deus enviou seu Filho e seu Espírito (cf. Gl 4,4-6) e que assim como o Pai enviou o seu Filho este nos envia também (cf. Jo, 20,21), ela encontra o fundamento de sua missão na revelação da missão do Filho e do Espírito. Na verdade, só existe a missão da Igreja porque existe a missão do Filho. Isto é, somente porque Jesus foi enviado pelo Pai no poder Espírito é que podemos ser também. E isto vale também para o Antigo Testamento: os patriarcas, os profetas, os sábios, todos eles viveram a missão de povo de Deus em vista da missão do Filho. Deus agiu no povo de Israel para preparar este povo para o momento de sua revelação em Jesus Cristo, enviado pelo Pai.

O discípulo missionário viverá sempre da Palavra. Como não entendemos a missão como uma simples função, não se trata de fazer algo unicamente, é imprescindível que o missionário esteja sempre na escuta de Palavra. Se assim não for, não existe missionário, pois ele é o ser humano que é enviado. A palavra do missionário deve ser a Palavra daquele que o envia. O nosso grande exemplo é o próprio Jesus: “Quando tiverdes elevado o Filho do Homem, então sabereis que ‘eu sou’, e que nada faço por mim mesmo, mas falo apenas aquilo que o Pai me ensinou” (Jo 8,28). O missionário é aquele que ouve aquilo o que o Pai ensinou ao seu Filho, isto é, a revelação de sua ternura e de seu amor.

De acordo com o Documento de Aparecida e o sentido da nova evangelização, o missionário é aquele que vive da relação com Deus. Novamente, é o mesmo Jesus que afirma: “Como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo por meio do Pai, aquele que de mim se alimenta viverá por meio de mim” (Jo 6,57). Viver por meio de Jesus e ser enviado por Ele é a mesma coisa. Ser missionário é ser enviado por Deus para que viva por meio de Cristo. Esta relação entre ser em Cristo e ser enviado é algo fundamental para se entender a missão. Somente na escuta da Palavra, na abertura de coração para deixá-la entrar e criar suas raízes ou deixar que ela semeie na terra fértil de nosso coração é possível ser missionário. Nós vivemos desta ação de Deus de dirigir sua Palavra até nós. Deus envia sua Palavra e ela vem com seu Espírito. Eis o que meditamos nestes meses e o que deve permanecer em nossos corações para que vivamos a missão que nos foi confiada. Não esqueçamos também que a missão nunca é uma posse nossa, mas um dom oferecido a nós. E como ela consiste na vida em comunhão com a Palavra é necessário que vivamos, não mais para nós, mas para ele, Jesus Cristo, que por nós morreu e ressuscitou (2Cor 5,15;cf. Oração Eucarística IV). O Papa Bento XVI afirmou na Exortação Apostólica Pós-sinodal Verbum Domini: “Os primeiros cristãos consideraram o seu anúncio missionário como uma necessidade derivada da própria natureza da fé: o Deus em quem acreditavam era o Deus de todos, o Deus único e verdadeiro que Se manifestara na história de Israel e, por fim, no seu Filho, oferecendo assim a resposta que todos os homens, no seu íntimo, aguardam. As primeiras comunidades cristãs sentiram que a sua fé não pertencia a um costume cultural particular, que diverge de povo para povo, mas ao âmbito da verdade, que diz respeito igualmente a todos os homens” (n. 92). A missão, diz o Papa Francisco, “no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir. Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar” (PAPA FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 273).

Sejam missionários!” É o convite de Cristo a todos nós.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.