Voz do Pastor › 06/04/2018

A ressurreição, plenitude da misericórdia

Queridos irmãos e irmãs!

Desejo a todos uma Feliz Páscoa! Jesus ressuscitou, aleluia! Ele é a nossa esperança, por isso, nossos corações e nossa fé são renovadas na Ressurreição de Cristo, nossa Páscoa. Que todos possam ser renovados pela alegria do Ressuscitado, Ele que faz novas todas as coisas, Ele que enxuga nossas lágrimas e consola-nos sempre.

Terminando a primeira semana da Páscoa somos convidados a contemplar, no próximo domingo, segundo da Páscoa, a misericórdia divina. Desde o ano 2000 a Igreja celebra a “Festa da Divina Misericórdia”, inspirada nas revelações particulares de Santa Faustina Kowalska (1905-1938). Há uma forte ligação da mensagem sobre a Divina Misericórdia e o evangelho que é lido no 2º Domingo da Páscoa, tirado do Evangelho segundo São João (Jo 20,19-31): Jesus ressuscitado manifesta a misericórdia do Pai e faz da Igreja a portadora da misericórdia.

A Ressurreição de Jesus Cristo é o sinal mais eloquente da misericórdia divina, pois ela significa que a vinda do Filho eterno, na carne humana, seguindo um processo de abaixamento, de assunção da condição de servo (cf. Fl 2,7), não levou o Filho do Homem, o Filho da jovem virgem de Nazaré, a uma experiência de aniquilamento com a morte, mas passou (Páscoa) para a vida glorificada, para juntar-se eternamente na condição divina, e assim, viver para sempre unido à nossa condição carnal. De fato, com a Ressurreição, Jesus é exaltado à direita do Pai e leva a nossa condição humana ao seio mesmo de Deus. Aí está o sentido pleno da misericórdia: Deus não quis apenas se comunicar a uma realidade criada, Ele quis se tornar essa mesma realidade (celebramos isso no Natal), e ainda, com a Ressurreição e a Ascensão, Ele introduz para sempre e infalivelmente a mesma realidade criada. Deus tem misericórdia de nós, porque nós estamos “dentro” de Deus. Por isso, bem e eloquentemente afirmou o Papa Francisco: Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai e o seu rosto é semelhante ao rosto de cada homem e mulher.

Mas, não podemos esquecer: Cristo ressuscitou e Ele garante a nossa ressurreição. Porque Deus ressuscitou o seu Filho, ressuscitará também, os seguidores de seu Filho, os que são filhos no Filho. Tal garantia não é uma usurpação, ou nós também precisamos ter os mesmos sentimentos de Jesus, como afirma São Paulo na carta aos filipenses (cf. Fl 2,5-8). É a nossa vocação: vivermos como filhos. A misericórdia faz isso mesmo em nós. Deus vem a nós, aproxima-se, torna-se o que somos e, elevando a nossa natureza para junto dele nos faz capazes de sermos como Ele é. Como necessitamos fazer essa passagem: somos filhos e filhas de Deus, e como tal somos chamados a viver. Páscoa quer dizer vida nova, ressurreição, deixar o homem velho, e aceitar o novo, a novidade, a eterna vida que é o próprio Deus em nós.

Após a Ressurreição de Cristo os apóstolos, os discípulos e discípulas de Jesus receberam o dom do Espírito Santo: “E a fim de não mais vivermos para nós, mas para ele, que por nós morreu e ressuscitou, enviou de vós, ó Pai, o Espírito Santo, como primeiro dom aos vossos fiéis para santificar todas as coisas” (MISSAL ROMANO. Oração Eucarística IV). É a presença do Espírito de Jesus em nós que faz-nos filhos e filhas e nos prepara e prontifica para a missão. Deixar-se envolver pela misericórdia divina significa viver segundo o Espírito, na comunhão com os irmãos e irmãs, na intimidade com o Pai. Feliz Páscoa para todos. Não desanimemos por nada, Cristo não está morto. Ele ressuscitou e nos levou para junto do seu Pai e nosso Pai, seu Deus e nosso Deus (cf. Jo 20,17).

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