Voz do Pastor › 09/04/2017

A Semana Santa

Queridos irmãos e irmãs!

No próximo domingo, 9 de abril, Domingo de Ramos, daremos início à Semana Santa. É o domingo da Paixão, que relembra a entrada de Jesus em Jerusalém. Ele entra nos últimos e cruciais momentos de sua vida, manifestação de seu amor pelos homens e mulheres e também do pecado. A Igreja vive a Semana Santa com a certeza de que foi nela que Jesus realizou a salvação da humanidade. É uma semana de celebração da vitória de Cristo. Não celebramos a Paixão como resultado da maldade humana, mas como o evento da manifestação do amor que vence o pecado. Esta é a semana que dá sustentação à comunidade dos discípulos e discípulas de Cristo. Não a vemos como o fim de Cristo, mas como o início de uma vida que não tem mais fim.

Todos são convidados a celebrar a Semana Santa com o coração agradecido e cheio de fé. No Domingo de Ramos, além de acompanhar Jesus na sua entrada em Jerusalém. Ele é o bendito que vem em nome do Senhor, vem montado num jumentinho, expressão de humildade, com forte simbolismo régio, que lembra Salomão quando de sua unção como rei de Israel (cf. 1Re 1,33-34). Na segunda, terça e quarta-feira, os fiéis são chamados a contemplar Jesus que se prepara para os grandes momentos de sua vida.

Na quinta-feira santa dois momentos particulares serão vividos: a Missa do Crisma e a Ceia vespertina. Pela manhã, o clero e os fiéis se reunirão para a benção dos santos Óleos, que serão usados na celebração dos Sacramentos do Batismo, da Confirmação, da Unção dos enfermos e da Ordem. Também os presbíteros renovarão suas promessas sacerdotais, e manifestarão a comunhão com o Bispo. Em todas as Igrejas Particulares, isto é, nas Dioceses os bispos celebram este momento com o clero e os fiéis. À tarde, a Igreja se reúne para celebrar instituição da Eucaristia. É a missa da ceia do Senhor. Nós nos reportaremos àquela quinta-feira santa, onde Jesus celebrou a última ceia e deixou para nós o Sacramento do seu amor, a Eucaristia. Reviveremos simbolicamente o lava-pés, sinal de humildade e de serviço que o Mestre deixa para os seus discípulos. Também celebramos neste dia a instituição do Sacramento da Ordem. Na sexta-feira santa, dia da morte do Senhor, a Igreja não celebra o mistério eucarístico, ela contempla a cruz, adora o Senhor crucificado e reza pelas diversas intenções. Não é uma celebração eucarística, mas a celebração da Paixão do Senhor. É um dia de jejum e abstinência de carne, dia para refletir sobre o amor imenso de Deus, que tanto amou o mundo que entregou seu Filho para salvar o mundo (Jo 3,16-17).

A Semana Santa termina com a celebração das celebrações: a vigília pascal. No Tríduo Pascal em que celebramos o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, o Sábado Santo sempre recebeu da Igreja e da reflexão teológica um destaque especial. De fato, nele se celebra a grande Vigília Pascal, uma liturgia especial, uma noite de festa e de exultação, pois proclamamos: Cristo ressuscitou, aleluia!É uma celebração especial, cheia de simbolismo, especialmente da luz do círio, que representa Cristo, que ressuscitado traz a luz para o homem e o mundo. O sábado santo é a irrupção da glória de Deus que envolve o Filho de Maria, Filho eterno de Deus que, por amor ao homem e à mulher, se tornou Homem. Na glória de Jesus, o crucificado-ressuscitado, o homem, criado à sua imagem, entra na glória divina e vive a sua mais profunda vocação: a de viver em plena comunhão com Deus, seu Pai.

Procuremos, portanto, viver a Semana Santa com recolhimento interior, com abertura de coração e, sobretudo, com a disponibilidade para a experiência da mistica da Paixão, isto é, seguir o exemplo de Cristo que deu a vida por nós. Somente nesta pró-existência, ou seja, viver para o outro,  uma existência segundo o Espirito, deixaremos que o exemplo de amor, de compaixão e de misericórdia do Filho de Deus, arrastre nossos corações para a verdadeira paz e alegria de que necessitamos. Pois, como afirma papa Francisco: “A Igreja deverá iniciar os seus membros – sacerdotes, religiosos e leigos – nesta «arte do acompanhamento», para que todos aprendam a descalçar sempre as sandálias diante da terra sagrada do outro (cf. Ex 3, 5). Devemos dar ao nosso caminhar o ritmo salutar da proximidade, com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que ao mesmo tempo cure, liberte e anime a amadurecer na vida cristã” (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 169).

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.