Voz do Pastor › 30/11/2018

Advento: tempo de esperança, acolhida e renovação da vida

Queridos irmãos e irmãs!

Iniciamos o Tempo do Advento. E com ele o novo ano litúrgico. Celebramos e vivenciamos a missão e a caminhada da fé, neste ano, inspirados na Palavra de Deus e na Eucaristia, no reconhecimento de que o Espirito Santo nos conduziu no discipulado e na missão. Mas, ao mesmo tempo, chega-nos a oportunidade, dada pelo mesmo Espírito, de avançarmos para águas mais profundas, de crescimento, de aprofundamento, de renovação e de um envolvimento mais profundo e radical (no sentido de irmos às raízes profundas da fé e do compromisso missionário) no processo de conversão pastoral a que somos todos chamados.

Ao iniciar um novo Ano Litúrgico, neste ano a Liturgia nos propõe a catequese inspirada no Evangelho de São Lucas, somos convocados a celebrar a presença do Senhor em nossa vida e na vida de nossas comunidades. “Todo o caminho do ano da Igreja se orienta para a descoberta e a vivência da fidelidade do Deus de Jesus Cristo, que na gruta de Belém se apresentará a nós, mais uma vez, no rosto de um menino. Toda a história da salvação é um percurso de amor, de misericórdia e de benevolência: da criação à libertação do povo de Israel da escravidão do Egito, do dom da Lei no Sinai ao regresso à pátria da escravidão babilônica. O Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó foi sempre o Deus próximo, que nunca abandonou o seu povo. Várias vezes suportou a sua infidelidade e esperou com paciência a vinda, sempre na liberdade de um amor que precede e ampara o amado, atento à sua dignidade e às suas expectativas mais profundas” (BENTO XVI. Homilia das I Vésperas do I Domingo do Advento. Vaticano, 1 de dezembro de 2012).

Celebrar o Advento do Senhor, a vinda do autor da vida, daquele que vem ao nosso encontro para nos dar a dignidade de filhos e filhas, daquele que constrói uma comunidade de amor e de vida, que vem nos ensinar o evangelho da vida, e resgatar a vida de tantos homens e mulheres, abandonados nas periferias existenciais, assassinados pelo egoísmo, pela ganância e pela corrupção dos contra valores ao projeto de Deus, que é de libertação e de transformação dos corações para uma vida plena, igualitária, cheia de ternura e de misericórdia para com todos.

Que bom que podemos confiar na presença de Jesus! O Advento nos diz que Ele já veio, a primeira vez, na humilde gruta de Belém, na fragilidade da carne, unindo-se àquela realidade criada por meio dele, criada para a relação com o Pai, por intermédio dele e na comunhão do Espírito Santo. Ele vem constantemente nas nossas comunidades que celebram o seu Sacramento santo, pão vivo, descido do céu para cuidar da nossa vida e das nossas relações e para aprendermos a vivermos em comunidade. Ele vem, também, em cada irmão e irmã, os de nossa comunidade, mas os que vivem à margem e estão confusos, abandonados, desfrutados e descartados por um sistema iníquo e desumano. Ele virá, a última vez, para nos resgatar totalmente, para manifestar a sua misericórdia, que não é excludente, que não é seletiva e nem movida por caprichos neuróticos ou despóticos. E será uma vinda que nos enche de esperança, de conforto e que fará com que toda a criatura reconheça: a sua ternura envolve toda a criatura e ainda, o céu e a terra estão cheios de sua glória.

Que todos celebrem este tempo com a esperança renovada. Preparemos os nossos para que a celebração do Natal seja um momento de paz e alegria. E a certeza da presença do Senhor em nosso meio, traga estímulos para seguirmos adiante no compromisso missionário de anunciar a todos que o Salvador acolhe cada homem e cada mulher, nasceu para trazer esperança a todos os corações.

 

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