Voz do Pastor › 01/01/2017

Ano Novo, paz e não-violência

Queridos irmãos e irmãs!

Um novo ano chega para todos nós. Como seria bom que a canção que diz: “este ano quero paz no meu coração, quem quiser ser meu amigo que me dê a mão”, fosse cantada por todos com imensa alegria. Nós que acreditamos na Criança de Belém, sabemos que a paz é possível, pois Ele nos dá essa paz que cria amizade, que acolhe, que se solidariza, que cria uma cultura da não-violência. Como seria bom que tudo isso, amizade, acolhimento, solidariedade estivesse bem presente em todas as pessoas no ano novo. Eis um desafio para todos nós cristãos e cristãs: fazer de 2017 um ano cheio de alegria e de paz, um ano da cultura da não-violência.

Na Mensagem para o 50º Dia Mundial da Paz, o Papa Francisco, que escolheu como tema, “A não-violência: estilo de uma política para a paz”, afirmou: “Nesta ocasião, desejo deter-me na não-violência como estilo duma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz. Desde o nível local e diário até ao nível da ordem mundial, possa a não-violência tornar-se o estilo caraterístico das nossas decisões, dos nossos relacionamentos, das nossas ações, da política em todas as suas formas” (FRANCISCO. Mensagem para o 50º Dia Mundial da Paz, 2017).

Se fizéssemos um balanço do ano que passou, todos diríamos que foi um ano muito violento. Um número absurdo e desolador: mais de 1900 homicídios no Estado do Rio Grande do Norte. É uma situação que clama aos céus, pois Deus é o Deus da vida. Isso faz urgente a mensagem do Papa Francisco para que a não-violência seja, de fato, uma realidade em nossa sociedade. No mapa da violência até crianças são vítimas, também os que são responsáveis pela segurança são tragados pelo rio infernal da violência. Aonde vamos chegar com tanto desrespeito à vida?

Neste Dia Mundial da Paz, dia da fraternidade universal, somos convocados pelo Príncipe da Paz a criar uma cultura de paz. Ela é continuação da cultura da misericórdia, também evocada pelo Papa Francisco. Quando buscamos a não-violência, quando estabelecemos a paz em nossas relações, então, estamos vivendo a misericórdia. Se acontece a violência, se a vingança é a reação mais profunda, então, a misericórdia passou longe. Ah! Como seria bom que tivéssemos sempre diante de nós uma única alternativa: resistir à tentação da vingança. Nunca é demais ressaltar que nenhum governo será bom se descuida da violência. Como seria bom que o nosso Estado investisse mais e mais recursos para garantir segurança aos nossos cidadãos. Este é um apelo que fazemos. Mas, ao mesmo tempo, é necessário afirmar: a paz que desejamos, a cultura da não-violência evocada pelo nosso bom Papa Francisco, devem começar em nossa casa. E mais, deve ser assumida como propósito para o ano novo. Se nós cristãos e cristãs vivermos difundindo essa cultura, então colaboraremos com paz. Oxalá não exista nenhum fiel que ceda à tentação da vingança e, assim, construa a paz. As palavras mais encorajadoras dessa cultura vem do Magistério da Igreja: “Hoje, ser verdadeiro discípulo de Jesus significa aderir também à sua proposta de não-violência. Esta, como afirmou o meu predecessor Bento XVI, ‘é realista, pois considera que no mundo existe demasiada violência, demasiada injustiça e, portanto, não se pode superar esta situação, exceto se lhe contrapuser algo mais de amor, algo mais de bondade. Este ‘algo mais’ vem de Deus’” (FRANCISCO. Mensagem para o 50º Dia Mundial da Paz, 2017). Procuremos, então, viver 2017 assim. Com certeza, faremos de nossa cidade, um lugar de paz. Esse é o convite do Papa: No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos à violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. ’Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz”.

Que 2017 seja um ano de paz, é o que queremos, é o que desejo de todo o coração.

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