Voz do Pastor › 25/01/2019

As metas pastorais da Arquidiocese de Natal (III)

Queridos irmãos e irmãs!

Ao iniciarmos o ano de 2019, último ano do nosso Marco Referencial da ação Pastoral 2016-2019, somos convidados a refletir sobre a nossa caminhada pastoral, tendo em vista a elaboração do novo Plano Pastoral. Nós iremos fazê-lo, em novembro próximo, após a Conferência Nacional do Bispos do Brasil (CNBB) apresentar as novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora, que serão construídas na Assembleia Geral que acontecerá em maio deste ano.

O Marco Referencial da Ação pastoral 2016-2019 foi construído em etapas, com participação dos agentes de pastoral, padres, diáconos e leigos. Ele contém metas, estratégias, além da “visão” e da “missão” da Igreja de Natal.

Proponho neste mês de janeiro refletir sobre as metas que construímos juntos e que vão de encontro aos problemas-desafios ou fragilidades que precisamos enfrentar.

A terceira meta, assumida pelos três Vicariatos de nossa Arquidiocese diz respeito ao desejo de sermos uma Igreja a serviço da vida plena para todos. Assim se expressa a meta: “a Arquidiocese comprometida na luta pelo acesso e proposição de politicas públicas para a melhoria da qualidade de vida no semiárido, no conjunto do mundo rural e nas periferias urbanas”. É uma meta, portanto, em estreita relação com o significado da relação entre fé e vida. Jamais seremos a Igreja de Jesus Cristo se nós não formos a Igreja que defende a vida. Assim, agiremos como Deus mesmo age em relação à vida: “sim, amas tudo o que existe e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa, não a terias criado. Da mesma forma, como poderia alguma coisa subsistir, se não a tivesses querido? Ou como poderia ser mantida na existência, se por ti não tivesse sido chamada? A todos, porém, tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida!” (Sb 11,24-26).

Politicas públicas não são realidades distantes da vida de fé. Atentos à palavra de Jesus, que disse “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância (Jo 10,10), a Igreja é chamada a lutar pelo acesso e propor politicas públicas que levem as pessoas, homens e mulheres, crianças, adolescentes, jovens, adultos e anciãos, a terem uma qualidade de vida que manifeste o respeito pela dignidade humana. Defender a pessoa, porque criada para a plenitude de vida, chamada a ser sinal da graça e da benevolência divina, é missão da Igreja. De fato, a Igreja assume, com coragem e determinação, o cuidado e a atenção ao ser humano. Belas e, ao mesmo tempo, instigantes para a missão da Igreja, são as palavras iniciais da Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo, Gaudium et spes: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição pastoral Gaudium et spes, n. 1). É sustenta nas duas afirmações sublinhadas, que a nossa meta poderá ser um instrumento de renovação da vida da Igreja. Por meio dela, nós poderemos colocar em prática o que o Papa Francisco nos sugere na Exortação apostólica Evangelii gaudium. Uma Igreja em saída, uma mãe de coração aberto, consciente de que “a conversão cristã exige rever especialmente tudo o que diz respeito à ordem social e consecução do bem comum” (FRANCISCO. Exortação apostólica Evangelii gaudium, n. 183, citando JOÃO PAULO II. Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in America, n. 27).

 

 

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