Voz do Pastor › 15/02/2019

As metas pastorais da Arquidiocese de Natal (VI)

Queridos irmãos e irmãs!

O Papa Francisco na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, Evangelii gaudium, publicada em 24 de novembro de 2013, afirmou a necessidade de uma renovação das estruturas eclesiais, inclusive a do “Papado”, para que a realidade missionária, de fato, seja o rosto da Igreja de Cristo: “Dado que sou chamado a viver aquilo que peço aos outros, devo pensar também numa conversão do papado. Compete-me, como Bispo de Roma, permanecer aberto às sugestões tendentes a um exercício do meu ministério que o torne mais fiel ao significado que Jesus Cristo pretendeu dar-lhe e às necessidades atuais da evangelização” (n. 32). Um dos modos de realizar essa “conversão missionária” é a descentralização. Todos os batizados, agentes de pastoral leigos e ministros ordenados, são chamados à responsabilidade pastoral.

No Marco Referencial da ação pastoral 2016-2019 a nossa Arquidiocese apresenta, como sexta meta, a descentralização das estruturas pastorais. Nossa reflexão, hoje, é a partir desta Meta, que tem o seguinte enunciado: “estruturas pastorais da Arquidiocese mais descentralizadas, favorecendo maior comunhão e participação, em vista de uma permanente conversão pastoral”.

Este é um dos temas mais importantes da vida da Igreja, nos últimos tempos. Já o Concílio Vaticano II retomou a visão eclesiologia da necessidade constante de conversão para toda a Igreja. Afirmou o Concílio Vaticano II: “a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, n. 8). O reconhecimento de que somos todos “povo santo e pecador” (MISSAL ROMANO.  Oração Eucarística V), faz-nos todos necessitados de conversão. A partir da V Conferência do Episcopado Latino-americano e caribenho, acontecida em 2007, em Aparecida, São Paulo, a Igreja exorta à conversão pastoral. Da conversão pessoal À conversão pastoral. Mas, o que é conversão pastoral? O Documento 100 da CNBB, Comunidade de comunidades, uma nova paróquia. A conversão pastoral da paróquia, responde: “Papa Francisco apresentou já como essa conversão pastoral renova a vida da Igreja: a conversão pastoral significa o exercício da maternidade da Igreja, uma Igreja capaz de redescobrir as entranhas da misericórdia, uma pastoral decididamente missionária, não mera conservação, que leve a uma revitalização da comunidade paroquial acolhedora, samaritana, orante e eucarística” (nn. 51-57). A conversão pastoral exige uma renovação das estruturas pastorais, para que elas sejam instrumentos de evangelização, que ajude as pessoas a encontrarem Jesus. Estejamos convictos disso: somente no encontro pessoal com Jesus Cristo é que nós podemos mudar as estruturas, ao mesmo tempo, teremos coragem de nos desfazer das estruturas obsoletas, daquelas que não cumprem o seu papel, antes, se apresentam, na prática, como impedimento às pessoas de viverem a alegria do Evangelho. É claro, não mudaremos as estruturas, se não mudarmos nosso coração. Conversão pastoral é consequência da conversão pessoal.

A sexta meta do Plano Pastoral permeia todas as outras. De fato, a renovação do Plano deve ser acompanhada dessa conversão pastoral. É com o coração renovado pela graça divina que poderemos evangelizar, viver a comunhão, anunciar a Palavra, denunciar as injustiças, e cuidar da família, dos jovens e da casa comum. Oxalá, a primeira atitude pastoral seja a de abrir o coração e a mente para deixar que a alegria do Evangelho contagie a nossa vida.

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