Voz do Pastor › 17/08/2018

Assunção de Nossa Senhora: um dogma cheio de esperança

Queridos irmãos e irmãs!

No próximo domingo, dia 19, a Igreja, no Brasil, celebrará a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria, antes celebrada no dia 15 de agosto. Último dogma proclamado pela Igreja, ele manifesta a fé de que a Mãe de Jesus, “completado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma na glória celeste” (PIO XII. Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1 de novembro de 1950. Dhu 3904). Na proclamação, feita em 1950 pelo Papa Pio XII, o dogma da Assunção é apresentado junto aos outros dogmas referentes à Nossa Senhora. E, nesse dogma, como em todos os outros, vemos a ação de Deus que conduz a sua criatura para a plenitude de vida, que é Ele mesmo. Nesse sentido, pode-se dizer que a Assunção de Nossa Senhora indica a todos nós: como Maria, unida à vida e à missão do seu Filho, foi glorificada, nós, seus discípulos e discípulas missionários, temos a esperança de participar dessa mesma glória.

A Mãe do Senhor (cf. Lc 1,43), “a augusta Mãe de Deus, associada a Jesus Cristo de modo insondável desde toda a eternidade com um único e mesmo decreto de predestinação, imaculada na sua conceição, na sua maternidade divina integérrima, generosa companheira do divino Redentor… alcançou, por fim, como suprema coroa dos seus privilégios, que fosse preservada imune da corrupção do sepulcro, e que, fosse levada em corpo e alma à glória superna do céu, onde refulgisse como Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos” (PIO XII. Idem, Dhu 3902).

A Igreja proclama que a Mãe de Jesus participa de sua glória. A primeira verdade, referia à Virgem Maria é a de que foi associada a Jesus Cristo desde toda a eternidade com um único e mesmo decreto de predestinação. Isso significa: antes mesmo que fossem criados o céu e a terra, Deus já pensava em Maria para ser a Mãe do seu Filho. Mas, essa primeira verdade de fé, está relacionada ao mistério da predestinação de todos os homens e mulheres. É o Apóstolo que nos ensina, de maneira clara e confortadora: “Nele [em Cristo Jesus], Deus nos escolheu, antes da criação do mundo, para sermos santos e imaculados diante dele, no amor. Conforme o desígnio benevolente de sua vontade, ele nos predestinou à adoção como filhos, por obra de Jesus Cristo” (Ef 1,4s). Fomos predestinados a viver como filhos e filhas de Deus, em e por causa de Jesus Cristo, Filho de Deus. A predestinação de Maria ocorreu como ação perfeita, em vista da Encarnação do Filho eterno de Deus. Assim, predestinados para sermos a carne que seria assumida pelo Filho de Deus. O mesmo Deus que opera a predestinação perfeita em Maria, opera também, para nós, a redenção de sua obra. De fato, o amor de Deus por nós é o mesmo amor que tem pela Virgem Maria: Ele não nos abandonou ao poder da morte, mas a todos socorreu com bondade, para que, ao procurá-lo, pudessem encontrá-lo (cf. MISSAL ROMANO. Oração Eucarística IV).

A Virgem Maria, pela mesma predestinação, em vista do envio do Filho, da parte de Deus Pai (cf. Gl 4,4s), foi concebida imaculada e integérrima concebeu o Filho, nascido dela pelo poder do Espírito Santo. Isso não poderia se dar senão dessa forma: a predestinação não tira a condição autônoma e o livre-arbítrio, antes, o eleva para o seu real sentido. Liberdade é a capacidade, dada por Deus ao ser humano, de optar ou melhor, de aceitar a determinação de outro, e ainda, do Outro, daquele que criou para amar a criatura, feita à imagem e semelhança do seu Filho. Ao aceitar receber o que se dá a nós, da forma como se dá, dentro da libérrima e amorosíssima vontade divina, nós nos tornamos verdadeiramente pessoa, porque aceitamos o que é feito para nós.

Mas, há uma verdade de fé referida à Mãe de Jesus, que se torna quase uma conditio sine qua non: a Virgem Maria foi generosa companheira do divino Redentor. Isso quer dizer: a predestinação nos conduz ao seguimento, ao discipulado. O que é ser discípulo ou discípula: viver de modo generoso na companhia do Redentor. Generosidade é a virtude que dá ternura e vigor ao discípulo. É a capacidade de experimentar que o Senhor não esmaga a nossa consciência, não oprime nossos sentimentos, não ameaça nossas emoções, não espanta nossos anseios. Pelo contrário, nos cumula de graça, de bençãos, e enche de fervor nossa esperança. A Virgem Maria, assunta ao céu, é a prova de que Deus faz tudo isso pelos homens e pelas mulheres.

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