Voz do Pastor › 09/03/2018

Conversão e missão na Igreja

Queridos irmãos e irmãs!

Muito nos alegrou a notícia da futura canonização dos Beatos Paulo VI, Papa (1897-1978) e Oscar Romero, Arcebispo de San Salvador, em El Salvador (1917-1980). Dois grandes vultos da Igreja Católica, filhos exemplares de vida dedicada à evangelização e à missão. Dois santos que nos lembram que a santidade precisa ser encarnada na vida. É mister refletir sobre a necessidade de conversão pastoral, pois os futuros santos, Paulo VI e Oscar Romero, são exemplos de uma Igreja samaritana, misericordiosa e atenta ao sofrimento dos homens e mulheres.

Do Beato Paulo VI lembramos a conclusão do Concílio Vaticano II (1962-1965), o evento mais importante do século XX e que marcou a vida da Igreja. Do Beato Oscar Romero, filho de uma Igreja sofrida, e que buscou viver na esteira do Concílio, podemos ver a inspiração para acontecimentos importantes da história pastoral e evangelizadora, eventos que o Espírito Santo realizou na nossa Igreja latino-americana, como as conferências gerais do Episcopado: Rio de Janeiro (1956), Medellin (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007), sem esquecer a fecundidade da Igreja no Brasil, com o seu ensinamento, suas assembleias gerais, e com seus mais de 100 documentos publicados nestes mais de 50 anos de existência da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB).

Sabemos todos, irmãos e irmãs, que a vida da Igreja precisa sempre de renovação. Não é de hoje que a Igreja tem consciência disso. Desde os tempos apostólicos, passando pelo período patrístico, a Idade Média até nos tempos modernos, a consciência de que os seguidores de Jesus não podem ficar para trás, retrocederem diante da ação da graça de Deus, hoje, da missão do Espírito Santo que realiza o plano ou desígnio divino do anúncio da salvação, da chegada do Reino de Deus para todos os homens e mulheres. E mais, a própria mensagem, o querigma cristão é um anúncio de perdão, de reconciliação e de paz. Então, sempre a Igreja necessita se perguntar: “Senhor, que queres que eu faça?” Isto é, devemos sempre estar abertos ao hoje da ação do Espírito. Por isso, a convocação de Aparecida, da CNBB e agora, com muita satisfação para nós Igreja latino-americana, os apelos do Papa Francisco, para que sejamos mais missionários, isto é, uma Igreja em saída e não preocupada com seu interno e suas estruturas, quase esquecendo dos fiéis, é uma chamada de atenção, uma convocação inadiável: o seguimento a Jesus leva à sequela Christi, isto é, à imitação de Cristo, pastor, servidor, acolhedor e misericordioso. Este é o principio fundamental. A Igreja o enfatiza na sua Doutrina Social, quando reconhece que a dignidade da pessoa humana é o principio fundamental a ser defendido na sua doutrina. Mas, isto é porque o próprio Deus na sua revelação mostrou-se sempre do lado do homem e da mulher. A conversão para a missão consiste nisso: a Igreja vive para evangelizar, isto é, para ir ao encontro das pessoas e lhes anunciar o amor de Deus e ela [a Igreja], primeiramente nos seus membros, ministros ordenados e leigos engajados, deve compartilhar com as pessoas esse mesmo amor.

Não nos esqueçamos disso: o que nós falamos sobre Deus e sua mensagem não é um conhecimento que entregamos fechado em esquemas ou sistemas de pensamento. O que anunciamos é o que vivemos. Se falamos que Deus é amor, não será suficiente se não amamos aqueles para os quais dizemos que Deus os ama. Essa é uma lei básica da missão. Segundo o documento de Aparecida, as diretrizes da ação evangelizadora da CNBB, o plano pastoral arquidiocesano e o ensinamento de Papa Francisco, não seremos fiéis a Jesus Cristo, se ficarmos apenas dando receitas para curar os outros e não somos curados também.

 

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