Voz do Pastor › 12/06/2017

Corpus Christi, festa do amor doado por todos

Queridos irmãos e irmãs!

Neste mês de junho, além de celebrar a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia 22, a Igreja celebrará, também, no dia 15, a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, mais conhecida como “Corpus Christi”. Além do significado histórico desta festa, ela nasceu no século XIII, inicialmente na Bélgica e depois passou para toda a Igreja temos, no relato do martírio do século XVII, nas nossas terras potiguares, o testemunho do Beato Mateus Moreira, que será canonizado, com os outros mártires de Cunhaú e Uruaçu, no próximo dia 15 de outubro, e que exclamou na hora de sua morte: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

A festa lembra, em primeiro lugar, aquela quinta-feira santa em que Jesus, na noite em que foi entregue, tomou o pão e deu graças, deu a seus discípulos, e o mesmo fez com o cálice com vinho e disse: “isto é meu corpo… este é o cálice do meu sangue”. A Eucaristia significa o ato de doação, de entrega que o Filho de Deus feito homem, faz de sua vida. O seu Corpo é entregue como alimento, o seu sangue é derramado por todos. Na festa de Corpus Christi a Igreja tem mais uma oportunidade de agradecer a Jesus por Ele ser o Redentor, o que resgata a nossa vida do pecado e da morte. Ação de graças este é o nome da Eucaristia.

Mas, outro aspecto importante da festa do Corpo e Sangue de Cristo é a proximidade com o Tempo Pascal. Embora já estejamos no Tempo Comum a proximidade com o tempo Pascal nos leva a refletir sobre o significado da festa com a festa das festas: a Páscoa da Ressurreição. É Jesus ressuscitado, glorioso que nós adoramos no mistério da Eucaristia. E mais, o Corpo e Sangue de Cristo se tornam presentes no altar graças à ação do Espírito Santo, que há pouco celebramos em Pentecostes. Quero frisar este ponto importante e imprescindível da fé da Igreja. E o faço lembrando um momento da Celebração Eucarística em que fazemos a invocação do Espírito Santo. Esta invocação, chamada de “Epiclese”, acontece duas vezes na missa. Primeiro, quando os dons do pão e do vinho são apresentados no ofertório, após o canto do Sanctus, o presidente da celebração invoca o Espírito Santo: Santificai, pois, estas oferendas, derramando sobre elas o vosso Espírito, a fim de que se tornem para nós o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso (MISSAL ROMANO. Oração Eucarística II).

A Igreja suplica o dom do Espírito Santo, Ele mesmo, para que realize para nós aquela transformação, aquele milagre de amor, não uma coisa absurda, não algo que destrói a natureza, mas o acontecimento que marca a humanidade fazendo dela uma unidade: pão e carne, vinho e sangue. A transubstanciação, isto é, a transformação do pão no Corpo e do vinho no Sangue de Cristo é para nós o gesto de ternura do Filho de Deus que assim quis continuar presente na nossa história.

Mas, outra invocação do Espírito Santo, dentro da celebração Eucarística, chama a atenção para aquilo que a Eucaristia realiza em nossa vida de comunidade: “…concedei que, alimentando-nos com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, sejamos repletos do Espírito Santo e nos tornemos em Cristo um só corpo e um só espírito” (Oração eucarística III). A Eucaristia nos une, faz de nós um só corpo, Cristo como Cabeça e nós os seus membros. É preciso que toda a Igreja reconheça que a Eucaristia não é uma prática de devoção privada, mas a celebração da comunhão com Cristo e com os irmãos e irmãs. Celebrar a festa de Corpus Christi é celebrar a comunhão, a unidade e a fraternidade que o Filho de Deus, por meio do Espírito Santo, realiza para nós, segundo a vontade amorosa de Deus Pai. Adorar Jesus no Sacramento da Eucaristia deve levar-nos sempre a uma atitude de comunhão com os irmãos e irmãs. E essa comunhão proporciona sempre deixar de ter medo ou parar diante das dificuldades ou empecilhos, mas fazer da vida e dos dons que recebemos uma constante ação de graças.

Ao Senhor Jesus Eucarístico nossas súplicas pela renovação da fé, pela paz mundial e por nosso País, para que todos vivamos na alegria, na esperança e no respeito do bem comum. Dando glórias a Jesus Sacramentado imploramos para todos dias de paz e de comunhão fraterna.

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