Voz do Pastor › 22/02/2019

Devoção aos Santos Mártires: uma meta pastoral

Queridos irmãos e irmãs!

 

As Metas pastorais do Marco Referencial da Ação Pastoral da Arquidiocese de Natal: formação missionária integral, setorização das paróquias, luta pelo acesso e proposição de politicas públicas, uso eficaz dos meios de comunicação social, setores “família” e “juventude” fortalecidos e descentralização dos setores pastorais, foram enriquecidas com uma relacionada à devoção aos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, canonizados em 15 de outubro de 2017, pelo Papa Francisco: “Devoção aos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, testemunhas da fé cristã, fomentada e disseminada em todas as Paróquias e Instituições da Arquidiocese e no Brasil”.

O Documento de Aparecida, fruto da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e caribenho, realizada em maio de 2007, apresentando o capítulo do caminho da formação dos discípulos missionários, após elencar os lugares de encontro com Jesus Cristo, conclui com a alusão a vida dos Apóstolos e dos Santos, afirmando: “Suas vidas são lugares privilegiados de encontro com Jesus Cristo. Seu testemunho se mantém vigente e seus ensinamentos inspiram o ser e ação das comunidades cristãs do Continente” (Dap 273). E, mais adiante, conclui: “Nossas comunidades levam o selo dos apóstolos e, além disso, reconhecem o testemunho cristão de tantos homens e mulheres que espalharam em nossa geografia as sementes do Evangelho, vivendo valentemente sua fé, inclusive derramando seu sangue como mártires. Seu exemplo de vida e santidade constitui um presente precioso para o caminho cristão dos latino-americanos e, simultaneamente, um estímulo para imitar suas virtudes nas novas expressões culturais da história. Com a paixão de seu amor a Jesus Cristo, foram membros ativos e missionários em sua comunidade eclesial” (Dap 275).

Os mártires do Rio Grande do Norte são para nós reforço na fé e no compromisso missionário. A Canonização trouxe um grande motivo de revigoramento no nosso caminho de fé. Diante dos desafios e apelos do mundo, nós podemos sempre afirmar: a nossa história tem um precedente forte no testemunho da fé. Os nossos antepassados banharam nosso solo com o sangue porque não hesitaram em proclamar a fé católica. Ao mesmo tempo, vivendo numa sociedade mais aberta à Igreja, somos chamados a dar testemunho de nossa fé. Não derramamos o sangue, mas a exigência de seguimento a Jesus e a doação da vida na missão, exigem de nós entrega e sacrifício. O mundo, hoje, apresenta situações drásticas, calamitosas, e crescem também indiferença, preconceito e intolerância. O mundo despreza os pobres, os imigrantes, alguns não respeitam o planeta, devastam a natureza, não se importam com os que sofrem por causa do grito da terra, e a Igreja é chamada a ser “pobre e para os pobres”. É um apelo que exige coração e determinação, mas é uma via de santidade para todos nós.

O Papa Francisco, na homilia da Liturgia da Palavra com a Comunidade de Santo Egídio, em memória dos “novos mártires” do século XX e XXI, no dia 22 de abril deste ano, na Basílica de São Bartolomeu, em Roma, assim afirmava: “A recordação destas heroicas testemunhas antigas e recentes confirmam-nos na certeza de que a Igreja só é Igreja se for Igreja de mártires. E os mártires são aqueles que, como nos recordou o Livro do Apocalipse, «vêm da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro» (7, 17). Eles receberam a graça de confessar Jesus até ao fim, até a morte. Eles sofrem, eles dão a vida e nós recebemos a bênção de Deus pelo seu testemunho. E há também tantos mártires escondidos, aqueles homens e mulheres fiéis à força mansa do amor, à voz do Espírito Santo, que na vida de cada dia procuram ajudar os irmãos e amar Deus sem hesitações”.

Concluo convidando a todos para rezar a oração dos Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu: “Senhor Jesus Cristo, o vosso sangue derramado na cruz tornou-se a fonte sagrada que regou o testemunho dos mártires brasileiros, mortos pela fé, nos primórdios de nossa evangelização. Concedei-nos, por intercessão dos nossos Santos Mártires André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, presbíteros, Mateus Moreira e os seus 27 companheiros leigos, a mesma fé e a mesma caridade que inflamava os seus corações. Alcançai-nos também a graça, que tanto necessitamos (faça o seu pedido), se for para o nosso bem e para vossa maior glória. Amém! Santíssima Virgem Maria, Rainha dos Mártires, rogai por nós!

 

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