Voz do Pastor › 16/11/2018

“Dia Mundial dos Pobres”

Queridos irmãos e irmãs!

Desde o fim do “Ano Santo Extraordinário”, o Jubileu da Misericórdia, celebrado de 8 de dezembro de 2015 a 20 de novembro de 2016. Por ocasião do encerramento do Jubileu, o Papa Francisco publicou a “Misericórdia et mísera”, afirmando que o futuro da Igreja passa pela experiência da misericórdia divina que encontra a nossa miséria e renova a nossa vida: “Misericórdia e mísera (misericordia et misera) são as duas palavras que Santo Agostinho utiliza para descrever o encontro de Jesus com a adúltera (cf. Jo 8,1-11). Não podia encontrar expressão mais bela e coerente do que esta, para fazer compreender o mistério do amor de Deus quando vem ao encontro do pecador: «Ficaram apenas eles dois: a mísera e a misericórdia». Quanta piedade e justiça divina nesta narração! O seu ensinamento, ao mesmo tempo que ilumina a conclusão do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, indica o caminho que somos chamados a percorrer no futuro”.

Como ação que manifestava um caminho, a partir desse pensamento, o Papa Francisco, na mesma Carta Apostólica, de 20 de novembro de 2016, instituía o “Dia Mundial dos Pobres”, este ano celebrado no dia 18 de novembro: “À luz do «Jubileu das Pessoas Excluídas Socialmente», celebrado quando já se iam fechando as Portas da Misericórdia em todas as catedrais e santuários do mundo, intuí que, como mais um sinal concreto deste Ano Santo extraordinário, se deve celebrar em toda a Igreja, na ocorrência do XXXIII Domingo do Tempo Comum, o Dia Mundial dos Pobres. Será a mais digna preparação para bem viver a solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, que se identificou com os mais pequenos e os pobres e nos há de julgar sobre as obras de misericórdia (cf. Mt 25,31-46). Será um Dia que vai ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa (cf. Lc 16,19-21). Além disso este Dia constituirá uma forma genuína de nova evangelização (cf. Mt 11,5), procurando renovar o rosto da Igreja na sua perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia”.

O Dia Mundial dos Pobres se apresenta, portanto, com os sinais de uma nova evangelização,  que será sempre autêntica se nos levar à contemplação do Cristo, Servo Sofredor, na pele dos nossos irmãos e irmãs, pobres, abandonados, marginalizados, vítimas de uma sociedade consumista e, assumindo uma perspectiva de Zygmunt Bauman, líquida. Essa nova evangelização proporciona, não só nesse exemplo, mas em todos os outros, que façamos uma valiosa e coerente preparação para a grande solenidade de encerramento do Ano Litúrgico, com a Solenidade de Cristo Rei, pois Cristo não é Rei como os reis deste mundo. O seu reinado é o do serviço, da entrega e, sobretudo, da misericórdia. Ele mesmo já tinha alertado aos discípulos: “Sabeis que os que são considerados chefes das nações as dominam, e os seus grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deve ser assim” (Mc 10,42s). O Papa Francisco salienta dois pontos da vida e do ensinamento de Jesus, que não devem ser esquecidos jamais: a identifica de Jesus com os pequenos e pobres e a apresentação do critério a ser usado no juízo final. Assim, celebrar o Dia Mundial dos Pobres nos ajuda a também sermos pobres, isto é, a colocar toda a nossa confiança e esperança em nosso Deus, assim como a viúva de Sarepta, que confiou na palavra inspirada do profeta Elias (cf. 1Rs 17,10-16) e a viúva que depositou duas pequenas moedas no tesouro do Templo, e recebeu de Jesus essa aprovação: “Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre, porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento” (Mc 12,43s). A afirmação do Papa Francisco de que “a pobreza está no âmago do Evangelho” significa um autêntico programa de vida. De fato, quando a riqueza, seja ela de qualquer tipo, toma conta de nossa vida, estamos no risco de perder a salvação, porque “pobre” é aquele que espera do Senhor e não confia em suas próprias forças. Mas, ao mesmo tempo, recorda o Pontífice: “pobre” é sempre alguém disponível para a partilha, para a solidariedade, então, erradicar a pobreza como privação, como desrespeito às condições mínimas de dignidade, é missão da humanidade como tal, e mais ainda, dos seguidores de Jesus.

Celebremos, portanto, o Dia Mundial dos Pobres, e peçamos ao Senhor que converta-nos sempre, para que sejamos testemunhas de sua misericórdia.

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