Voz do Pastor › 16/03/2018

Dom Nivaldo: 100 anos

“Hoje, no coração da Igreja de Natal, eu quero ser, antes de tudo, uma alma contemplativa”

(Dom Nivaldo Monte, em 1988, quando se tornou Arcebispo Emérito)

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 15 deste mês comemoramos o centenário de nascimento de Dom Nivaldo Monte, 2º Arcebispo de Natal, falecido em 10 de novembro de 2006. Dom Nivaldo foi Arcebispo de Natal de 1967 a 1988.

Nascido no dia 15 de março de 1918, filho de Pedro Alexandre do Monte e Belarmina Sobral do Monte, era irmão do Pe. Luiz Gonzaga do Monte, mas conhecido como Padre Monte, religioso de fama de santidade e de alta cultura. Entrou no Seminário de São Pedro em 1931, sendo ordenado presbítero em 12 de janeiro de 1941, pelo primeiro Arcebispo de Natal, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas. Ainda jovem presbítero se engaja no Movimento de Natal, experiência pioneira da Igreja de Natal, tendo a frente o então Pe. Eugênio de Araújo Sales, depois Bispo Auxiliar de Natal e Cardeal-Arcebispo do Rio de Janeiro. Eram tempos de renovação na Igreja. Na Europa, os movimentos litúrgico, patrístico, ecumênico, traziam ares de uma renovação do Catolicismo, que resultaram na primavera do Concílio Vaticano II. Aqui, Dom Nivaldo funda a Escola de Serviço Social, em 1945, a primeira instituição de ensino superior em Natal. Vários centros sociais, em bairros periféricos foram criados por ele. Em 1958 participa como co-fundador da criação da Radio Rural de Natal. Antes de ser Arcebispo de Natal, Dom Nivaldo foi administrador apostólico de Aracaju. Sua ordenação episcopal aconteceu no dia 27 de abril de 1963. Em 20 de abril de 1965 é nomeado Administrador Apostólico de Natal e em 6 de setembro de 1967, nomeado 2º Arcebispo de Natal. Sua renúncia ao governo arquidiocesano aconteceu em 6 de abril de 1988, com a idade de 70 anos.

Durante o seu ministério episcopal Dom Nivaldo participou das sessões do Concílio Vaticano II (a partir da 2ª sessão, em 1963), das Conferencias do Episcopado Latino-americano, de Medellín, Colômbia, no ano de 1968 e da de Puebla, no México, em 1979. Pode-se dizer que viveu a sua missão como Arcebispo de Natal traduzindo a renovação da Igreja advinda desses eventos importantes. Ele é exemplo de vivência da fé unida aos elementos próprios da vida humana. Tendo uma veia mistica, unida ao seu zelo e amor à natureza, publicou vários livros, onde manifesta um coração voltado para a contemplação da beleza da criação, sem esquecer a psicologia que o levava a afirmar: “o coração foi feito para amar”. Dele foi dito, com palavras acertadas do poeta Veríssimo de Melo, Presidente do Conselho Estadual de Cultura, em nome do mesmo, em 26 de abril de 1988, por ocasião de sua renúncia ao Governo da Arquidiocese e ao apresentar-lhe, em nome do Colegiado, um voto de reconhecimento pelo seu exemplar desempenho como Arcebispo da Arquidiocese de Natal: “Exaltando seus méritos de escritor e pastor, sobretudo, espera esse colegiado, que, agora, sem mais o peso do pastoreio, a Igreja e o Rio Grande do Norte muito vão receber de V. Exa. em favor da cultura e da própria Igreja à qual V. Exa. serve com tanto amor e carinho. A Igreja necessita de apóstolos de sua envergadura e o Estado de figura do seu quilate”.

Ao comemorar o centenário de seu nascimento a Igreja de Natal agradece ao bom Deus por ter tido como Arcebispo esse grande homem. Sua estatura pequena e seu porte franzino não fizeram dele um homem pessimista ou derrotado. Pelo contrário, Dom Nivaldo era grande, e elevava seu pensamento ao Deus de Jesus Cristo, o Grande que se tornou pequeno, para tornar grandes os pequenos. Sim, damos graças a Deus por Dom Nivaldo. E, ao mesmo tempo, suplicamos ao Senhor, que o seu legado de homem da cultura, de religioso com fé encarnada, de pastor solícito e amável, esteja presente nesta Igreja de Natal a quem ele tanto amava.

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