Voz do Pastor › 24/12/2014

“Nasceu para vós o Salvador” (Lc 2,11)

Queridos irmãos e irmãs!

“Nasceu para vós o Salvador” (Lc 2,11)

Jesus nasceu em Belém! O Filho de Deus quis fazer parte da família humana. Louvemos, bendigamos e adoremos o Menino Deus que nos traz alegria, paz e esperança. É Natal! Os nossos corações se alegram e sentem a paz que o nascimento do Salvador vem trazer à humanidade. Eis que a vinda do Menino Deus é o anúncio do Evangelho da família. O Filho de Deus quis fazer parte da família humana para os homens e as mulheres fizessem parte da família divina. De fato, Jesus é o elo que une Deus e os homens, tornando-os amigos, fazendo do mundo a casa reconciliada, o lugar da salvação, da ternura e da paz. O nascimento de Jesus dá início à reconciliação do gênero humano, torna possível a paz entre os homens e manifesta o projeto de Deus de reunir todos os homens e todas as mulheres. Jesus nasce para revelar aos homens e às mulheres o grande amor de Deus pelo ser humano e sua sublime vocação: “o que se expressava no barro, se pensava em Cristo que devia tornar-se homem”, assim afirmava um autor do 3º século, Tertuliano (160-220), referindo-se a Gn2,7, o relato da criação do homem. Que pensamento reconfortante é esse: quando Deus pensou o homem, Ele pensou em expressar-se nesse homem através da Encarnação do Verbo divino, do Filho eterno. Essa é uma alegria que nunca acaba. Para sempre o homem está ligado a Deus, pois Deus mesmo se liga ao homem, quando o Filho se torna homem. Eis a mensagem do Natal: nasce para nós o Salvador, vem para o mundo o criador, porque nele foram criadas todas as coisas e nele todas as coisas subsistem (cf. Cl 2,16-17). Ao tornar-se homem, o Filho de Deus vem unir-se ao que era seu. Seu nascimento revela a dignidade do ser humano, a grandeza da natureza humana, a vocação sublime à qual o homem e a mulher são chamados.

Neste Natal, quero desejar a todos que a mensagem de alegria da gruta de Belém, encha os corações de todas as pessoas de boa vontade. Minha mensagem a todos os moradores de Natal e das outras cidades da Arquidiocese. Dirijo-me a todos vós, fiéisem Cristo, católicos e não-católicos, que esta data torne nossos corações mais sensíveis aos sofrimentos e dificuldades vividas por tantos de nossos irmãos e irmãs. Que a fé em Jesus, concebido do Espírito Santo e nascido da virgem Maria, uma nossos corações para que testemunhemos, juntos, a alegria da mensagem de ternura e de paz que o Menino de Belémtraz para todos.

Celebrar o Natal é uma oportunidade para reconhecermos que jamais estamos sozinhos no caminho da vida. Não recordamos esta data como fazemos com as datas de acontecimentos que envolvem cientistas, conquistadores, escritores, pesquisadores, estadistas, pensadores, mas recordamos um acontecimento vivente, de renovação do mundo, evento de uma nova criação, “um acontecimento que é uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo” (BENTO XVI. Encíclica Deus caritas est, 1). A renovação de nossa vida, a conversão pastoral à qual nos chama a Igreja acontecem, pois o Menino Deus renova todas as coisas, e com sua luz ilumina as nossas trevas, traz novo vigor aos nossos corações cansados, decepcionados, para que, renovados, continuem a levar a todos a ternura daquela imagem que move os corações: encontrareis o recém-nascido, sua mãe e José. Eles são a imagem do Evangelho da família. Que eles abençoem as nossas famílias e tragam para elas a paz, a concórdia e a harmonia. Amém.

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