Voz do Pastor › 27/04/2018

Maio: mês dedicado à Virgem Maria

Queridos irmãos e irmãs!

Na próxima semana iniciaremos o mês de maio. Dia primeiro, comemoraremos o dia mundial do trabalho e também São José Operário. É uma oportunidade para agradecermos ao bom Deus pelo trabalho que nos dá o sustento e ao mesmo tempo suplicar aos céus pela injustiça, ainda praticada em nossos dias, do trabalho escravo, do tráfico de pessoas para trabalhos humilhantes e da exploração do trabalho infantil. Que esta chaga da sociedade desapareça do nosso meio.

Mas, o mês de maio é dedicado a Nossa Senhora. É uma oportunidade para evangelização e para a reflexão sobre o princípio mariano de nossa fé. Ao meditarmos como a Palavra de Deus nos apresenta a figura e o papel da Virgem Maria na obra da redenção e na história da salvação, podemos ver que a nossa fé se ilumina pelas atitudes marianas. Às demonstrações de afeto filial, de verdadeira devoção, de ternura para com a Mãe do Senhor, devemos juntar nossa convicção de fé em relação ao exemplo iminente da Virgem Maria. Seremos cristãos se estamos atentos ao que a graça de Deus realiza nas pessoas que acolhem a proposta divina. De fato, este é o princípio que norteia a nossa fé: Deus vem ao nosso encontro, propõe algo para nós, isto é, Ele mesmo se dá a nós, Ele nos fala e nós somos convidados a dar uma resposta. Podemos dizer, com base na reflexão teológica atual, que o ser humano foi criado para dar reposta ao Deus que vem ao seu encontro. Existimos para o encontro pessoal, não com uma coisa, uma realidade abstrata, sem nome, não com um “deus-spray”, como recordou o Papa Francisco, mas com um “acontecimento, com uma Pessoa” (Bento XVI, carta Encíclica Deus é amor, 1), que nos interpela à comunhão de vida, que nos chama à santidade, isto é, a uma relação com Ele.

A Igreja afirma, e isto faz parte de nossa fé, que a Virgem Maria é o exemplo mais perfeito dessa resposta. Ela é exemplo de acolhimento da Palavra de Deus e de disponibilidade inteira à missão que a Palavra convoca. Ao acolher a Palavra ela se torna morada da graça, templo do Espírito, tabernáculo da força do Altíssimo. Em Maria, dá-se o perfeito encontro entre proposta divina e resposta humana, como nos recordou o Papa emérito Bento XVI, na Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini: “é necessário olhar para uma pessoa em Quem a reciprocidade entre Palavra de Deus e fé foi perfeita, ou seja, para a Virgem Maria, que, com o seu sim à Palavra da Aliança e à sua missão, realiza perfeitamente a vocação divina da humanidade” (Bento XVI, Exort. Apost. Verbum Domini, 27).

A resposta da Virgem Maria ao projeto de Deus é caminho de santidade. Ela, como afirmou Papa Francisco na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: “Desejo coroar estas reflexões com a figura de Maria, porque Ela viveu como ninguém as bem-aventuranças de Jesus. É Aquela que estremecia de júbilo na presença de Deus, Aquela que conservava tudo no seu coração e Se deixou atravessar pela espada. É a mais abençoada dos santos entre os santos, Aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha. E, quando caímos, não aceita deixar-nos por terra e, às vezes, leva-nos nos seus braços sem nos julgar. Conversar com Ela consola-nos, liberta-nos, santifica-nos. A Mãe não necessita de muitas palavras, não precisa que nos esforcemos demasiado para Lhe explicar o que se passa conosco. É suficiente sussurrar uma vez e outra: Ave Maria…”

Assim, ao iniciar o mês mariano, convido a todos os fiéis a se deixarem iluminar pela ação do Espírito Santo em Maria. Como Ele agiu na humilde serva do Senhor, agirá também em nós, pois todos nós vivemos da graça do Senhor ressuscitado, Ele que nos dá sempre seu Espírito, para que sejamos também sua morada (cf. Jo 14,23).

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