Voz do Pastor › 04/05/2018

Maria, mãe de misericórdia e modelo de santidade

Queridos irmãos e irmãs!

Iniciamos o mês de maio, mês dedicado à Virgem Maria, Mãe de Jesus Cristo e Mãe da Igreja. É um mês especial, de oração, louvores e festejos Àquela que foi escolhida para ser a mãe do Salvador, Aquela que “viveu como ninguém as bem-aventuranças de Jesus. É Aquela que estremecia de júbilo na presença de Deus, Aquela que conservava tudo no seu coração e Se deixou atravessar pela espada. É a mais abençoada dos santos entre os santos, Aquela que nos mostra o caminho da santidade e nos acompanha” (PAPA FRANCISCO. Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate, n. 176).

Neste mês de maio procuremos viver intensamente a imitação daquela que é chamada de “mulher orante”. Ao rezar durante este mês de maio os louvores da Mãe de Deus não esqueçamos a exortação de Papa Francisco: “O santo é uma pessoa com espírito orante, que tem necessidade de comunicar com Deus. É alguém que não suporta asfixiar-se na imanência fechada deste mundo e, no meio dos seus esforços e serviços, suspira por Deus, sai de si erguendo louvores e alarga os seus confins na contemplação do Senhor” (PAPA FRANCISCO. Idem, n. 147).

A Virgem Maria, vista no mistério de Cristo e da Igreja (cf. CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, 52-69), que “na anunciação do anjo recebeu o Verbo no coração e no seio, e deu ao mundo a Vida, é reconhecida e honrada como verdadeira Mãe de Deus Redentor. Remida dum modo mais sublime, em atenção aos méritos de seu Filho, e unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel, foi enriquecida com a excelsa missão e dignidade de Mãe de Deus Filho” (Lumen gentium, 53). Ao proclamar essa verdade de fé, a Igreja vê na Virgem Maria o exemplo de ação de Deus, aquela que experimentou a misericórdia divina dum modo mais sublime. “Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne” (PAPA FRANCISCO. Bula de Proclamação do Jubileu da Misericórdia, n. 24). Ao mesmo tempo, nela podemos redescobrir a alegria da ternura de Deus. Eis, o título ao qual a Igreja, hoje, é chamada a proclamar sem hesitação: Maria, mãe da ternura e da misericórdia.

Neste mês de maio, convoco a todos os fiéis católicos a celebrarem com alegria, com devoção e fervor, a graça misericordiosa que agiu em Maria, tornando-a mãe da misericórdia, Mãe daquele que é o rosto da misericórdia do Pai e por isso mesmo, aquela que proclama a misericórdia de Deus que se estende de geração em geração a todos os que o respeitam (Lc 1,50), como exortou Papa Francisco no Jubileu da Misericórdia. Agora, o convite do Papa é para que vejamos em Maria, o modelo de santidade que a Igreja deve seguir. É um caminho que, como o de Maria, leva-nos a entender a santidade como o projeto do Pai para nós. E esse projeto nos coloca na missão. Diz o Papa Francisco: “Para um cristão, não é possível imaginar a própria missão na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque ‘esta é, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santificação’ (1Ts 4, 3). Cada santo é uma missão; é um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da história, um aspeto do Evangelho. Esta missão tem o seu sentido pleno em Cristo e só se compreende a partir dele. No fundo, a santidade é viver em união com Ele os mistérios da sua vida; consiste em associar-se duma maneira única e pessoal à morte e ressurreição do Senhor, em morrer e ressuscitar continuamente com Ele. Mas pode também envolver a reprodução na própria existência de diferentes aspetos da vida terrena de Jesus: a vida oculta, a vida comunitária, a proximidade aos últimos, a pobreza e outras manifestações da sua doação por amor” (PAPA FRANCISCO. Op. cit., nn. 19-20).

Que a experiência de passar um mês com Maria tenha como fruto o desejo de santidade, o “rosto mais belo da Igreja” (Papa Francisco). Que esse rosto resplandeça na nossa vida, sempre lembrando que “ninguém se salva sozinho, como indivíduo isolado, mas Deus atrai-nos tendo em conta a complexa rede de relações interpessoais que se estabelecem na comunidade humana: Deus quis entrar numa dinâmica popular, na dinâmica dum povo” (PAPA FRANCISCO. Idem, n. 6).

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