Voz do Pastor › 11/09/2016

Natal pede paz!

Queridos irmãos e irmãs!

                A busca pela paz é uma constante na vida dos cristãos e cristãs. Queremos viver na paz. É uma aspiração das mais belas e cheias de significado. Para a nossa fé é um dom do Ressuscitado: “a paz esteja convosco”, disse Jesus quando encontrou os seus discípulos, após a morte na cruz. “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou”, são também palavras do Mestre de Nazaré, mostrando que Ele dá a paz do encontro pessoal, da relação com Deus que apazigua o coração e da amizade com os outros que cria fraternidade e harmonia.

                A paz não gera indiferença, desinteresse ou egoísmo. Pelo contrário, a paz é um sentimento de alegria por saber ou desejar que o outro esteja bem. Preocupar-se com o outro, saber ou fazer algo pelo outro que o respeite, que defenda a sua dignidade e cuide de sua tranquilidade. Jesus mesmo afirmou: “felizes os pacíficos”. Buscar a paz não é tampouco sinal de fraqueza ou um irenismo acomodado ou preguiçoso. Os pacíficos são homens e mulheres que constroem um mundo melhor, uma sociedade que se desenvolve, uma Terra que grita pelos seus habitantes, moradores, filhos e filhas do Deus que cria e por isso, ama a vida. Quem ama a vida pede paz, busca a paz, luta pela paz.

                Há uma palavra de Jesus que parece intrigante e de difícil exegese. Diz Jesus, no Evangelho de Lucas: “Vós pensais que eu vim trazer a paz sobre a terra? Pelo contrário, eu vos digo, vim trazer divisão…” (Lc 12,51). Por acaso o Senhor se contradiz? A paz que Jesus traz não é um simples e falso conformismo. Na verdade, a paz nos coloca diante de um plus, isto é, diante da necessidade de criar condições de vida digna, de justiça, de igualdade e liberdade. Todos os que trabalham contra esses elementos roubam a paz das pessoas. De fato, ninguém tem paz quando vive sem respeito à sua dignidade, ninguém tem paz quando sofre injustiça e desprezo, maus tratos, discriminação, preconceito de todo tipo, ninguém vive em paz quando é humilhado por uma sociedade hipócrita e que explora as pessoas, ninguém luta pela paz quando sua voz é calada e lhe é tirado o mais belo dos dons, depois da vida, a liberdade.

                Ao iniciar e defender uma campanha pela paz, somos convidados a lutar pelos ideais acima descritos: dignidade da vida, justiça, igualdade e liberdade. São ideais presentes em várias religiões, em vários organismos da sociedade. Juntemo-nos a todos eles, pois não seria cristão se nós pensássemos que a paz é só para nós. Paz para todos, assim clamamos. “Irá chegar um novo dia, um novo céu, a nova terra, o novo mar…”. E nesse dia, como seria bom que os homens e as mulheres de boa vontade ouvissem e deixassem ecoar em seus corações a mensagem do anjo que anunciou aos pastores de Belém o nascimento do Príncipe da Paz: “glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens e mulheres por Ele amados”.

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