Voz do Pastor › 23/12/2017

Natal, tempo de alegria e de esperança

Queridos irmãos e irmãs!

“Nasceu-nos um Menino, um filho nos foi dado. É grande e tão pequenino, Deus forte é Ele chamado!”

Eis que chegou o tempo do Natal. Celebramos o nascimento do Salvador, o Filho da Virgem Maria. Nasce a esperança, Deus veio habitar em nosso meio. A Encarnação do Verbo divino significa que para sempre Deus e o mundo estão unidos. O Filho de Deus é Filho do Homem. Deus não somente se aproxima de nós, Ele mesmo se torna o que somos. Ah, se a humanidade compreendesse este ato divino! Um Deus que vem ao encontro do homem e não simplesmente que dita regras e obrigações, mas quer fazer parte da nossa história. Verdadeiramente, a Igreja proclama: não a relação distante, quase como alternativa a se pôr para o homem: Deus e o mundo, mas a união, a relação de proximidade e de “devir” no humano: Deus no mundo.

Quando celebramos o Natal não nos restringimos a festejar o aniversário de uma personagem da história. Celebramos o evento por excelência da vinda de Deus, comunicação de si mesmo que Deus faz ao homem. E isso, não para destruir, para amedrontar ou para apavorar, pois Ele não vem como um terremoto, como um fogo que queima a sua obra, Ele vem na singeleza e na ternura de uma criança. Deus quis ser como nós. Essa é a grande notícia que manifesta a alegria de Deus de ter um partner, de realizar para outro ser que não é Ele mesmo, a comunhão de amor e de vida plena, motivos pelos quais Ele criou o mundo, o homem e a mulher. Sim, a mesma criança de Belém, deitada numa manjedoura, será o Homem das dores, que de braços abertos, com sangue derramado e chagado, morrerá na Cruz. Mas, a sua morte só destrói o mal, o pecado, o egoísmo, a inveja e a indiferença. Da ternura do Menino Deus vem a alegria do ser humano, criado por Deus, consolado por Ele e jamais esquecido na experiência dolorosa da rebeldia e da rejeição de ser amado.

Natal é tempo de reflexão. Será que o sentido dele é claro? Podemos dizer que o mundo está melhor porque celebra o Natal? E nós, cristãos e cristãs, fazemos a diferença? Do Natal do Senhor passamos para a Páscoa, sem olhar a Cruz da sexta-feira santa? Jesus nasceu e inaugurou o novo tempo para a Humanidade. O sentido de Belém se completa com o Calvário e o Sepulcro vazio. E isso, não para fazer-nos homens e mulheres derrotados, acabrunhados ou infelizes, mas para mostrar-nos que o Filho de Deus assumiu o que nós somos e tudo o que implica a vida humana, e termos a coragem de assumir a vida divina como Ele assumiu a nossa. Jesus participa da nossa vida para fazer-nos participantes da sua. Como Ele nasceu, sofreu e na cruz morreu, isto é, experimentou as condições de nossa vida, nascimento, sofrimento e morte, e ressuscitou, está vivo e é vencedor, também nós, passaremos da morte para vida, porque estamos envolvidos pelo Mistério Pascal do Menino Deus.

Natal também é festa da solidariedade. Deus se solidariza com a nossa condição humana, com tudo o que ela tem, alegrias, esperanças, tristezas e angústias. A solidariedade do Filho de Deus, princípio fundamental da Doutrina Social da Igreja, é o grande pando de fundo do Presépio, da Via Crucis e do Aleluia da Ressurreição. Um Natal que não mostrasse nossa solidariedade para com os nossos semelhantes, sejam quais forem, não colhe o sentido da vinda de Deus. A verdadeira solidariedade é priva de interesses, não tem prejuízos ou preconceito. Ela acontece em vista do bem de quem a recebe. Celebrar o Natal é cumular a nossa vida de solidariedade que encanta e impulsiona para a busca de um mundo melhor. Procuremos, portanto, viver essa solidariedade como resposta ao dom recebido no Natal: o Filho de Deus veio habitar em nosso meio, Ele veio trazer a paz, proclamar o amor incondicional de Deus pela humanidade.

Desejo a todos um Feliz Natal. Que o Menino Deus encante os corações, faça brilhar a luz nas famílias, encoraje os jovens e dê força aos adultos, para que estejam sempre unidos, solidários e sejam construtores da paz.

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