Voz do Pastor › 07/02/2020

O dom da gratidão

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 1 de fevereiro celebrei, com meus irmãos padres Antonio Cassiano e José Freitas Campos, 45 anos de ordenação presbiteral. Neste sábado, 8, terei a graça de reunir os fiéis, o clero e familiares para agradecer ao Deus da vida por me ter feito participante do sacerdócio ministerial de seu Filho. Celebrar o dom do ministério é, para nós ministros ordenados, um momento forte de gratidão. Lembro as palavras de São Paulo, despedindo-se dos cristãos de Éfeso, quando afirma: “Mas de modo nenhum considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e realize o ministério que recebi do Senhor Jesus: testemunhar a Boa Nova da graça de Deus” (At 20,24).  Agradeço a Deus, portanto, que me chamou para esse ministério.

Na verdade, a participação no sacerdócio do Mestre de Nazaré, acontece desde o dia do nosso Batismo. Somos todos uma porção santa, um povo sacerdotal. Com o Concílio Vaticano II afirmo a fé da Igreja: “Na verdade, os batizados, pela regeneração e pela unção do Espírito Santo, são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que, por meio de todas as obras próprias do cristão, ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz (cf. 1Pd 2,4-10). Por isso, todos os discípulos de Cristo, perseverando na oração e louvando a Deus (cfr. At, 2,42-47), ofereçam-se a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus (cfr. Rm 12,1), deem testemunho de Cristo em toda a parte e àqueles que a pedirem deem razão da esperança da vida eterna que neles habita (cfr. 1 Ped. 3,15)” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, 10).

Esta é uma feliz oportunidade para refletirmos sobre uma das virtudes mais belas do ser humano: a gratidão. Ela faz parte sobretudo do homem, criado à imagem e semelhança de Deus. Os santos afirmavam a beleza da gratidão como virtude que enobrece a pessoa e uma atitude que brota do coração de quem se sente amado por Deus. Diz Santo Agostinho: “que coisa melhor podemos trazer no coração, pronunciar com a boca, escrever com a pena do que estas palavras: ‘graças a Deus’? Não há nada que se possa dizer com maior brevidade nem ouvir com maior alegria, nem sentir com maior elevação, nem realizar com maior utilidade”. Podemos lembrar também que o próprio Jesus elogiou o leproso que retornou para agradecer a cura (cf. Lc 17,11-18). E ainda: não esqueçamos que o sentido da celebração da Eucaristia é o de ação de graças, agradecimento a Deus por Jesus ter dado a sua vida em resgate de muitos.

A gratidão está muito ligada à alegria. Quando nós acolhemos o dom de Deus, com alegria, quando vivenciamos a missão com amor, quando agradecemos a Deus por ter-nos escolhido para fazer parte de sua família, estamos vivenciando a gratidão. São Paulo se expressa com termos parecidos quando, mesmo sabendo das dificuldades de sua missão nas comunidades primitivas, reconhece que sua missão era a de dar testemunho do evangelho da graça de Deus (cf. At 20,24).

Por isso, quero agradecer ao bom Deus pelo grande dom recebido: a vida identificada com Cristo e configurada a Ele pela participação no seu sacerdócio a mim confiado, pelo Batismo e o sacerdócio ministerial, dado pelo Sacramento da Ordem. Graças a Deus! Seja louvado e glorificado o nome do Senhor. Amém.

 

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