Voz do Pastor › 31/03/2017

O serviço: dom característico do povo de Deus

Queridos irmãos e irmãs!

No último sábado, 25 de março, na Catedral de Milão, na Itália, o Papa Francisco encontrou padres, diáconos permanentes e religiosos. Na ocasião, respondeu perguntas feitas por um padre, um diácono e uma religiosa. Na resposta à pergunta do diácono permanente, o Papa expressou seu pensamento sobre o carisma próprio do diaconado. Segundo o Papa “O diaconado é uma vocação específica, uma vocação familiar que chama ao serviço”. E ainda: “O serviço é um dos dons característicos do povo de Deus”.

No Evangelho, quando Jesus fazia a predição da paixão e morte que deveria acontecer em Jerusalém, os discípulos nada entendiam de suas palavras, mas no caminho discutiam quem era o maior. Enquanto Jesus apresentava o desfecho de sua vida, eles procuravam estabelecer quem deveria ser o sucessor, o mais importante entre eles. A resposta de Jesus é emblemática: quem quiser ser o maior seja o servo de todos. Esta deveria ser a meta de todos os cristãos. É bem verdade, como nos lembrou o Papa Francisco, a luta pelo poder na Igreja vem de longe. Mas, é de longe, ou seja, vem do próprio Fundador da Igreja, que a verdadeira essência da Igreja é ser servidora da humanidade. E isto não acontece por uma espécie de prestação de serviço, igual que fazem as empresas comerciais ou industriais. Não apresentamos um produto a ser comercializado. Nós anunciamos o amor gratuito de Deus pelo homem e pela mulher, que se manifesta em seu Filho e no Espírito. Tudo, portanto, na Igreja leva a marca deste anúncio: Deus enviou seu Filho, Deus enviou o Espírito de seu Filho, Deus acolheu a entrega de seu Filho, aceitou a sua obediência, manifestou o seu poder na ação de Cristo que acolhe a mulher samaritana, conversa com Nicodemos, perdoa a mulher adúltera, entra em comunhão com Zaqueu, tem compaixão das viúvas, se comove internamente pelo sofrimento dos outros, pela perda dos entes queridos, busca a ovelha perdida…

A Igreja, comunidade que vive do amor de Deus, é chamada a viver neste contínuo serviço. Quando ela o faz não é algo que provém dela, mas é Deus mesmo agindo nela para o bem de todos. Por isso, lembramos, como fez Papa Francisco: “o verdadeiro poder é o serviço. Como ele [Jesus] fez, que veio para servir e não para ser servido… Não existe na Igreja nenhum outro caminho para progredir… O maior serviço é o serviço aos outros: esta é a regra”.

Na conclusão de sua resposta, o Papa faz uma síntese que serve para todos os que vivem na Igreja: não existe serviço ao altar, não existe liturgia que não se abra ao serviço dos pobres, e não existe serviço aos pobres que não conduza à liturgia; não existe vocação eclesial que não seja familiar”.

Agradecemos a Deus que enviou para nós um Papa que nos lembra o grande amor de Deus por nós e como só vivendo com amor é que nós poderemos ser fiéis à nossa missão na Igreja e no mundo. Se esta é a regra para todos nós, então, busquemos viver assim, pois, somente no serviço desinteressado, é que poderemos nos assemelhar a Cristo e sermos suas testemunhas num mundo cheio de egoísmos e de indiferenças, marcado pelas injustiças sociais e pela corrupção dos costumes, especialmente numa sociedade que trata os pobres como sub-produto, não se preocupando com o seu destino, antes, proporcionando que os pobres sejam os primeiros prejudicados por um sistema de exclusão em beneficio de grupos econômicos, que a todo custo querem se manter no poder e no controle social.

Sejamos servidores neste mundo, pois Deus não se cansa de amá-lo. E nós somos, no mundo, sinal deste grande amor, para a conversão e a salvação da humanidade.

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