Voz do Pastor › 26/10/2018

O voto

Queridos irmãos e irmãs!

Neste domingo, 28 de outubro, novamente iremos às urnas para eleger o Presidente da República e o Governante do nosso Estado. Todos são conscientes de que o momento politico está complexo e bastante polarizado. A Igreja, instituída por Jesus Cristo para o anúncio do Evangelho, reconhece que a sua palavra não pode ser a apresentação de um Evangelho desencarnado. Na verdade, a história da Igreja é longa na orientação de uma relação clara e harmoniosa entre fé e vida, doutrina dogmática e doutrina social. Ela, por natureza, não deve se envolver em “política partidária”.

A Igreja assume a sua posição, tanto no Concílio Vaticano II quanto na sua Doutrina Social, de considerar o exercício da política como realidade de altíssimo valor e necessário para o bom desenvolvimento da sociedade: “A Igreja que, em razão da sua missão e competência, de modo algum se confunde com a sociedade nem está ligada a qualquer sistema político determinado, é ao mesmo tempo o sinal e salvaguarda da transcendência da pessoa humana” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo Gaudium et spes, n. 76). “A pessoa humana é fundamento e fim da convivência política. Dotada de racionalidade, é responsável pelas próprias escolhas e capaz de perseguir projetos que dão sentido à sua vida, tanto no plano individual como no plano social” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 384). A Igreja também afirma: “Considerar a pessoa humana como fundamento e fim da comunidade política significa esforçar-se, antes de mais, pelo reconhecimento e pelo respeito da sua dignidade mediante a tutela e a promoção dos direitos fundamentais e inalienáveis do homem” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Idem, n. 388). Sabemos que o clima fica sempre tenso quando temos que exercitar a nossa cidadania com o voto. Ninguém desconsidera ou minimiza que a politica partidária gera paixões, sentimentos acalorados e, às vezes, até extremos. Outras realidades em que escolhas, gostos, preferências por determinados pontos de nossa convivência, geram esses sentimentos. Mas, nunca podemos esquecer: somos cristãos. E para nós, ainda valem aquelas formidáveis palavras do autor da Carta a Diogneto, escrita no século II: “Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular…Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os recém-nascidos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito. Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a carne. Moram na terra e são regidos pelo céu. Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas. Amam todos e por todos são perseguidos”.

Nunca é demais ressaltar o magistério de Papa Francisco que nos orienta neste caminho: “[Política]poderia ser traduzido também como serviço inestimável de dedicação para a consecução do bem comum da sociedade. A política é antes de mais serviço; não é serva de ambições individuais, de prepotência de facções e de centros de interesses. Como serviço, nem sequer é dona, pretendendo regular todas as dimensões da vida das pessoas, recorrendo até a formas de autocracia e totalitarismo” (FRANCISCO. Mensagem vídeo aos participantes no Encontro de Políticos Católicos, organizado pelo Conselho Episcopal Latino-americano – CELAM e pela Pontifícia Comissão para a América Latina – CAL. Bogotá/Colômbia, 1 a 3 de dezembro de 2017).

Que no próximo domingo, todos, cidadãos e cidadãs, possam ir às urnas, conscientes e determinados a colaborar pelo futuro do País e do nosso Estado.

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