Voz do Pastor › 20/07/2018

Os cristãos leigos e leigas

Queridos irmãos e irmãs!

No mês de agosto, dia 25, a nossa Igreja Arquidiocesana realizará a Assembleia do Laicato, dentro das comemorações do “Ano Nacional do Laicato”, vivido pela Igreja no Brasil desde a Solenidade de Cristo Rei do ano passado até o dia 25 de novembro deste ano, com o tema: O tema escolhido para animar a mística do Ano do Laicato foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema: “Sal da Terra e Luz do Mundo”, Mt 5,13-14.

Muito já se falou do tema do laicato, da missão dos leigos e leigas. Graças a Deus já passamos de uma apresentação negativa – os leigos e leigas são os que não tem um ministério ordenado – para uma definição positiva e, de acordo com a evolução do pensamento moderno, o qual nos oferece pistas de consideração da pessoa, seus direitos e sua responsabilidade. Assim, do Concílio Vaticano II recebemos essa definição: os leigos são “os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo” (CONCÍLIO VATICANO II. Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, 31). E, ainda, o mesmo Concílio afirma: “O sagrado Concílio, desejando tornar mais intensa a atividade apostólica do Povo de Deus, volta-se com muito empenho para os cristãos leigos… Com efeito, o apostolado dos leigos, que deriva da própria vocação cristã, jamais poderá faltar na Igreja. A mesma Sagrada Escritura demonstra abundantemente como foi espontânea e frutuosa esta atividade no começo da Igreja (cfr. At 11,19-21; 18,26; Rm 16,1-16; Fl 4,3)” (Decreto sobre o apostolado dos leigos Apostolicam actuositatem, 1).

A dignidade e a importância dos leigos e leigas na Igreja foram sempre ressaltadas pelos últimos Papas. De São João Paulo II temos além da realização de um Sínodo dos Bispos com a temática dos leigos: “A vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo”, em 1987, também a publicação da Exortação Apostólica Pós-sinodal Christifideles laici, em 1988, com a mesma temática. Em várias ocasiões, Bento XVI evocou o texto da Exortação de João Paulo II, mostrando a sua atualidade e importância. Para Papa Francisco os leigos são discípulos missionários: “Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário (cf. Mt 28, 19). Cada um dos batizados, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo de evangelização, e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas ações. A nova evangelização deve implicar um novo protagonismo de cada um dos baptizados. Esta convicção transforma-se num apelo dirigido a cada cristão para que ninguém renuncie ao seu compromisso de evangelização, porque, se uma pessoa experimentou verdadeiramente o amor de Deus que o salva, não precisa de muito tempo de preparação para sair a anunciá-lo, não pode esperar que lhe deem muitas lições ou longas instruções. Cada cristão é missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus; não digamos mais que somos «discípulos» e «missionários», mas sempre que somos «discípulos missionários» (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, 119).

Aos leigos e leigas são dirigidos esses fundamentos que todos precisam refletir e aprofundar. Eles não são exclusivos dos ministros ordenados, mas de todos os batizados. Tais fundamentos podem ser elencados assim: a) a dignidade da pessoa; b) o ser humano como parceiro de Deus; c) Deus faz aliança (pacto) com o homem e a mulher; d) a revelação do nome de Deus como manifestação de sua misericórdia, dirigida a todos; e) a revelação de Jesus Cristo: Deus é Pai dos homens e das mulheres e convida a todos para o seu Reino, que inclui o seguimento a Cristo e a vivência da graça da filiação divina; f) a necessidade de tornar a vida uma missão.

Convido a todos, ministros ordenados e leigos e leigas, a refletirem em suas paróquias e comunidades sobre esses fundamentos, a fim de que todos possam crescer na fé e na comunhão eclesial, pois todos estão unidos e fortalecidos no Batismo, sacramento da unção do Santo que a todos unge para evangelizar.

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