Voz do Pastor › 23/09/2016

Os Protomártires do Brasil

Queridos irmãos e irmãs!

“Sangue de mártires, semente de cristãos”!

A Igreja do Rio Grande do Norte é uma Igreja banhada pelo sangue dos mártires. Ainda na primeira metade do século XVII (1645), vários cristãos, sacerdotes e leigos, homens e mulheres, jovens e meninos, foram mortos pelo ódio daqueles que naquele tempo dominavam a região do Rio Grande do Norte. O ódio à fé levou alguns a massacrarem os católicos nas nossas terras potiguares: em 16 de julho, o morticínio de Cunhaú, no município de Canguaretama, onde o Pe. André de Soveral, após a elevação do Corpo e Sangue de Cristo, com as portas da capela de Nossa Senhora das Candeias, trancadas, foi morto, com cenas de violência, intolerância e atrocidade. Em 3 de outubro foi a vez do morticínio de Uruaçu, nas proximidades de São Gonçalo do Amarante. Ali, entre tantos que foram mortos, estão o Pe. Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira, que exclamou, com o coração arrancado: “Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

A memória do Martírio de Cunhaú e Uruaçu sempre esteve presente na Igreja de Natal. Mas, somente em 1988 com a vinda de Dom Alair Vilar para Arcebispo de Natal, foi aberto o Processo de Beatificação dos Mártires, tendo como postulador o Mons. Francisco de Assis Pereira, já falecido. Em 5 de março de 2000, o Papa São João Paulo II, beatificou os mártires do Rio Grande do Norte, chamando-os de “Protomártires do Brasil” e estabelecendo a data de comemoração para o dia 3 de outubro. Para a Igreja de Natal e de todo o Rio Grande do Norte, foi uma alegria imensa e suscitou o aumento da devoção aos mártires. Agora, em vista da Canonização há todo um processo de diálogo e de continuação da causa dos mártires. Além das Paróquias dedicadas aos Beatos André de Soveral, em Emaús, Ambrósio Francisco Ferro, no Planalto e Mateus Moreira, em Cidade Verde, a nossa Igreja conta com os três santuários dedicados aos os mártires: em Uruaçu, em Cunhaú e no bairro de Nazaré, em Natal. A partir de uma atenção especial do Papa Francisco, há a possiblidade da Canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu. Quando estive em Roma nesses dias, conversei com o Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, o Cardeal Ângelo Amato e, na audiência com o Santo Padre, o Papa Francisco, e saí muito satisfeito com o interesse do Papa em canonizar os Mártires. Para tanto, após alguns passos que devemos dar para o próprio processo em vista de sua conclusão, esperamos e, para isso, devemos rezar, que a canonização dos nossos Mártires aconteça em 2017.

A Igreja de Natal sente satisfação e alegria pelo testemunho dos mártires. De fato, nosso desejo é que aumente cada vez mais a devoção e, sobretudo, a vontade de testemunhar a fé em Jesus Cristo. Eles lembram a todos que nunca devemos nos sentir sozinhos na missão que Deus nos confiou. Não criamos nós a missão, ela é dada pelo próprio Senhor, e isto significa que Ele mesmo está presente, sustentando e animando a nossa caminhada. Os mártires são exemplo disso. Uma terra banhada pelo sangue de tão valiosas testemunhas da fé, é um solo fecundo de santidade e de missão. Os Mártires sejam lembrados e venerados por nós, católicos potiguares, como exemplo de fidelidade ao Mestre, o Crucificado e Ressuscitado, Força e Salvação de nossa vida. Eles se unem à multidão de homens e mulheres que deram a vida pela fé no Cordeiro de Deus, Imolado por nós para a remissão dos pecados.

Que a sua festa, em 3 de outubro, seja a celebração de nossa fé, do senhorio de Cristo e de seu poder que vence sempre, trazendo paz e alegria aos nossos corações. A Igreja canta os seus hinos e eleva uma prece ao bom Deus para que todos sejamos firmes na fé e na caridade.

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