Voz do Pastor › 15/04/2017

Páscoa: solidariedade de Cristo, solidariedade dos cristãos

Queridos irmãos e irmãs!

A Páscoa da Ressurreição é a solidariedade de Cristo com a nossa humanidade. Deus não abandonou Jesus nas teias da morte, mas o ressuscitou para que, vivo e presente no nosso meio, Ele continue agindo em nosso favor e nos leve a uma vida de solidariedade para com os nossos irmãos e irmãs. O Tempo Pascal, iniciado com o Domingo da Ressurreição, lembra a todos os fiéis que Deus definitivamente se uniu à humanidade no sangue de seu Filho, na entrega livre e cheia de amor de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo. Tudo isso é fonte de alegria e de paz.

Celebrar este tempo solene, em que podemos cantar a alegria de sermos renovados pelo Cordeiro imolado, também traz para nós um compromisso de anunciar que a Páscoa é para todos. Jesus não ressuscita para ir embora e deixar-nos abandonados. A sua vida continua em nossa vida. A sua missão se prolonga na nossa missão. E qual é a missão dos que acreditam na Ressurreição de Jesus? Sobretudo, o anúncio. Não podemos prender ou sufocar essa notícia: Jesus não está morto, Ele vive. Não anunciamos a derrota da morte, mas a vitória do amor vivente. Tudo o que anunciamos, tudo o que ensinamos, tudo o que se apresenta em nossa doutrina, é para servir a esse anúncio de vida. Doutrinas, dogmas, ensinamentos, tudo é em função do anúncio para todos de que Deus, ao ressuscitar o seu Filho, declara para nós que somos também seus filhos e que Ele deseja dar a vida plena para todos. Em segundo lugar, tal anúncio não se dá apenas por palavras. Ele é, sobretudo, vida, isto é, experiência de encontro com o Ressuscitado, como aconteceu para Maria Madalena, para os dois discípulos de Emaús, para Pedro, para os Doze, para os mais de quinhentos irmãos e irmãs, para Tiago, e ainda, para Paulo, como ele mesmo diz, “como a um abortivo” (cf. 1Cor 15,8). Essa experiência traz paz e alegria aos corações. Somos chamados a viver como “ressuscitados”, isto é, como homens e mulheres que confiam na ação do Espírito Santo em suas vidas. Por isso, celebrar a Páscoa é reconhecer que necessitamos ser “cristóforos”, isto é, portadores de Cristo para os outros. Ser portador de Cristo para cuidar da vida, cuidar do outro, do pobre, do enfermo, cuidar da casa comum, guardar e cultivar a criação, partilhar e conviver com harmonia e paz. Celebrar a Páscoa é viver a solidariedade para com os irmãos e irmãs. Solidariedade com as vítimas da violência, da indiferença. Solidariedade para com os jovens, as crianças, os idosos. Páscoa é a experiência da Verdade de Deus que nunca nos engana, a única que garante para nós a vida plena. A solidariedade dos cristãos, por causa da solidariedade de Cristo em relação a nós, não é algo facultativo, nem situação amarga, mas condição para o seguimento verdadeiro de Cristo. A vida nova que Cristo ressuscitado traz para nós, não se compara a nada. Nós não podemos relativizar a solidariedade. Ela é a razão da nossa esperança.

Páscoa é também esperança. Não podemos perdê-la. Como é necessário que nós, cristãos e cristãs, demos esse grito: nada nos fará perder a esperança da ressurreição de Cristo. Essa esperança é fundamentada na presença do Espírito que o Ressuscitado dá aos seus discípulos, no dia mesmo da Ressurreição (conforme o Evangelho de São João, cf. Jo 20,22), em Pentecostes (conforme São Lucas, cf. At 2,1-4), em cada comunidade que celebra a fé e vive a fraternidade. Peçamos ao Senhor que essa solidariedade traga luz e paz a todos e que a Ressurreição do Filho de Deus anime nosso caminhar.

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