Voz do Pastor › 01/12/2016

Por uma “cultura da misericórdia” (I)

Queridos irmãos e irmãs!

Com data de 20 de novembro, Solenidade de Cristo Rei, na conclusão do Ano Santo Extraordinário, Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco publicou uma Carta Apostólica, intitulada Misericordia et Misera (Misericórdia e miséria), para ser uma indicação do “caminho que somos chamados a percorrer no futuro” (FRANCISCO. Carta Apostólica Misericordia et Misera. Introdução). Essa Carta Apostólica pós-jubilar apresenta um balanço do Jubileu da Misericórdia e algumas indicações para continuarmos a ser a Igreja da Misericórdia. Para isso, o seu convite: “por uma cultura da misericórdia!

Um balanço do Jubileu é apresentado pelo Papa Francisco a partir de um sugestivo comentário de Santo Agostinho ao episódio do encontro de Jesus com a mulher flagrada em adultério (cf. Jo 8,1-11). Diz o Santo, que é celebrado como o Doutor da Graça: “Ficaram apenas eles dois: a miséria e a misericórdia”. Francisco declara que “esta página do Evangelho pode, com justa razão, ser considerada como ícone de tudo o que celebramos no Ano Santo, um tempo rico em misericórdia, a qual pede para continuar a ser celebrada e vivida nas nossas comunidades” (n. 1). Dos números 1 a 5, da Carta, o Papa reconhece a beleza do perdão celebrado no Jubileu: “Celebramos um Ano intenso, durante o qual nos foi concedida, em abundância, a graça da misericórdia. Como um vento impetuoso e salutar, a bondade e a misericórdia do Senhor derramaram-se sobre o mundo inteiro. E perante este olhar amoroso de Deus, que se fixou de maneira tão prolongada sobre cada um de nós, não se pode ficar indiferente, porque muda a vida” (n. 4).

Já nos números 5 até o 21, final da Carta, o Papa Francisco aponta algumas indicações para continuarmos a viver a misericórdia. Diz o Papa: continuar, com fidelidade, alegria e entusiasmo, a experimentar a riqueza da misericórdia divina”. Isso só será possível se a conversão pastoral acontecer, se ela “for plasmada dia após dia pela força renovadora da misericórdia. Não limitemos a sua ação; não entristeçamos o Espírito que indica sempre novas sendas a percorrer para levar a todos o Evangelho da salvação”. A primeira indicação do Papa refere-se a “celebrar a misericórdia”. Ele lembra que “desde o início até ao fim da Celebração Eucarística, a misericórdia reaparece várias vezes no diálogo entre a assembleia orante e o coração do Pai, que rejubila quando pode derramar o seu amor misericordioso. Eis uma afirmação cheia de inspiração, que serve também como programa de espiritalidade litúrgica: “Na liturgia, não só se evoca repetidamente a misericórdia, mas é realmente recebida e vivida”. Celebrar a misericrodia é fazer experiência do olhar amoroso de Deus, diante do qual não se pode ficar indiferente, como afirma Francisco.

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