Voz do Pastor › 15/06/2018

Providência divina: Deus atuando na nossa vida

Queridos irmãos e irmãs!

A fé da Igreja nos exorta a que confiemos na Providência divina. Esse é um conceito muito importante e que necessita ser bem compreendido. Não se trata de uma experiência de mágica diante dos infortúnios da vida. Mas, da confiança filial naquele que nos fortalece. Na verdade, nós celebramos o Mistério da vida de Deus na nossa vida, e por isso, somos convidados a perceber a sua presença amorosa, benevolente e indulgente. O que nos faz acreditar na Providência divina é aquilo que se apresenta como centro de nossa fé: a Ressurreição de Jesus. Diz São Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios: “se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a vossa fé… se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15,14.17). A Ressurreição de Jesus significa que Deus acolheu a vida de seu Filho e na sua natureza humana Ele entra na glória divina para sempre. Jesus, o Filho de Deus e Filho de Maria, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, ao ser ressuscitado pelo Pai, eleva a condição humana para junto de Deus e de Deus não sairá jamais. Esse mistério se prolonga na Ascensão e em Pentecostes. Jesus ressuscitado “subiu aos céus, não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade” (MISSAL ROMANO. Prefácio da Ascensão I). Deve consolar-nos esse pensamento: com a Ascensão, o Filho de Deus conduziu nossa natureza humana para junto de Deus, “enxertou” a natureza humana no ser de Deus. Confiar na Providência divina significa reconhecer que existe, realizado pelo próprio Deus, um elo indissolúvel entre Deus e nós.

A Igreja é animada nesse caminho pela presença do Espírito Santo. De fato, desde Pentecostes, ela celebra a presença operante do Espírito. Sim, em Pentecostes a Igreja, já convocada pelo Mestre de Nazaré, composta por Cefas, os Doze, Tiago, mais de quinhentos irmãos, discípulos e discípulas que conviveram com Jesus e que se tornaram testemunhas da Ressurreição (cf. 1Cor 15,5-8; o Apóstolo se inclui nessa longa lista), recebe a força do alto. Em Pentecostes, o Espírito Santo desce para continuar, na vida dos seguidores de Jesus, a missão de proclamar a chegada do Reino de Deus. Este Reino já chegou, já está presente. Mas, a sua realização plena, ainda não. Esperamos a feliz realização do seu Reino, esperamos que Deus seja tudo em todos. Enquanto caminhamos, somos chamados a viver da memória do Salvador, a continuar na viva Tradição da Igreja, a sermos ouvintes da Palavra e, sobretudo, a viver o mandamento do amor deixado por Jesus. Que missão essa nossa! Continuar a missão de Jesus requer humildade, desprendimento e, sobretudo, doação. Requer acolhimento de Deus que vem ao nosso encontro. Deixar-se conduzir por Ele é viver na sua Providência.

A Igreja, composta por homens e mulheres, batizados e batizadas, chamados a viver o amor de Deus, deve ser consciente de que eles não perfeitos. Poderíamos usar aqui a mesma reflexão do Papa Francisco que, dirigindo-se aos casais, afirmou na Exortação Apostólica Pós-sinodal Amoris laeltitia: “não se deve atirar para cima de duas pessoas limitadas o peso tremendo de ter que reproduzir perfeitamente a união que existe entre Cristo e a sua Igreja, porque o matrimônio como sinal implica ‘um processo dinâmico, que avança gradualmente com a progressiva integração dos dons de Deus’” (n. 122). Portanto, estejamos atentos ao fato de que somente em união com Cristo, fruto da presença do Espírito Santo em nossa vida, é que podemos permanecer no caminho de Deus. Não esqueçamos: Deus é o nosso Criador, Jesus é o nosso Salvador e o Espírito Santo é o que nos dá vida e nos santifica. Toda outra realidade, humana ou celestial, depende disso. Não coloquemos nossa última confiança no que é efêmero, parcial e imperfeito. É Deus a realização de nossa vida, somente Ele é capaz de nos amar até o fim e isso é fruto de sua santidade.

 

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