Voz do Pastor › 06/07/2018

Retiro anual do clero: renovação da consagração

Queridos irmãos e irmãs!

Na segunda semana de julho, de 9 a 13, os presbíteros de nossa Arquidiocese estarão vivenciando o seu retiro anual. Além de ser uma obrigação, conforme o Direito Canônico (cf. Cân. 276 §2 n. 4), o Retiro, também chamado de “Exercícios Espirituais Anuais”, é uma parada para renovação da vocação e da missão dos presbíteros. Neste mês, por uma graça toda particular, as intenções do Papa têm como tema os presbíteros: “Para que os sacerdotes que vivem com dificuldade na solidão o seu trabalho pastoral se sintam ajudados e confortados pela amizade com o Senhor e com os irmãos”. O nosso retiro será pregado pelo Pe. Tito Marega, RSV, religioso vicentino, de origem italiana, e que vive em nossa Arquidiocese, na Paróquia de São Gonçalo do Amarante. O tema do Retiro será: “Sacerdote chamado a ser o Cristo!”.

Lembra a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nas Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil: “O presbítero é por excelência um homem de oração, porque pela sua frequência às Escrituras, aos Sacramentos e à recitação da Liturgia das Horas, e pela sua disponibilidade a encontros fervorosos com o Senhor, ele se torna um especialista das coisas divinas, um místico e mistagogo, capaz de auxiliar os fiéis e todos os que o procurarem a encontrar-se com o mistério de Deus” (n. 64). O Retiro Anual se apresenta, pois, como uma experiência de encontro fervoroso com o Senhor, encontro do qual depende a nossa perseverança. O presbítero é um cristão que vive do encontro pessoal com Jesus Cristo, como afirma o Documento de Aparecida: “O acontecimento de Cristo é, portanto, o início desse sujeito novo que surge na história e a quem chamamos discípulo: ‘Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva’. Isso é justamente o que, com apresentações diferentes, todos os evangelhos nos têm conservado como sendo o início do cristianismo: um encontro de fé com a pessoa de Jesus (cf. Jo 1,35-39)” (n. 243).

No Retiro do Clero, oportunidade de renovação de nossa espiritualidade, somos chamados a empreender o caminho da conversão pessoal que nos leva à conversão pastoral. Permitam-me evocar o pensamento do Papa Francisco sobre pontos importantes de nossa espiritualidade, que se expressa como “caridade pastoral”. “O Evangelho convida-nos sempre a abraçar o risco do encontro com o rosto do outro, com a sua presença física que interpela, com o seu sofrimento e suas reivindicações, com a sua alegria contagiosa permanecendo lado a lado”. Não a uma espiritualidade desencarnada e alienante. Ela chama à comunhão solidária e à fecundidade missionária. “A verdadeira fé no Filho de Deus feito carne é inseparável do dom de si mesmo, da pertença à comunidade, do serviço, da reconciliação com a carne dos outros. Na sua encarnação, o Filho de Deus convidou-nos à revolução da ternura” (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 88). Recomendo, sobretudo, a reflexão do papa sobre o mundanismo espiritual, mal que causa em nós asfixia e morte espiritual (cf. FRANCISCO. Idem, n. 93). O Retiro é momento de graça e de silencio renovador. Papa Francisco ainda nos convoca na Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate: “Neste silêncio, é possível discernir, à luz do Espírito, os caminhos de santidade que o Senhor nos propõe… Para todo discípulo, é indispensável estar com o Mestre, escutá-lo, aprender dele, aprender sempre” (n. 150).

Bom retiro aos nossos padres. Rezem por nós todos, para que sejamos revigorados pelo ar puro do Espírito Santo.

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