Voz do Pastor › 30/06/2018

São Pedro e São Paulo: dia do papa

Queridos irmãos e irmãs!

Neste primeiro domingo de julho, a Igreja celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo. Por festejar São Pedro, também se celebra, neste dia, o dia do Papa. É uma ocasião propícia para se rezar por aquele que sempre pede: “… e, por favor, não se esqueçam de rezar por mim”. A Igreja lembra esses dois grandes Apóstolos de Cristo, homens valorosos, cristãos fervorosos, mártires corajosos.

Sobre São Paulo, a Igreja proclama: “Paulo, mestre e doutor das nações, anunciou-lhes o evangelho da salvação” (MISSAL ROMANO. Prefácio da Solenidade de São Pedro e São Paulo). Mas, por ser o dia do papa, gostaria de falar mais de São Pedro.

De São Pedro a Liturgia proclama: “o primeiro a proclamar a fé, fundou a Igreja primitiva sobre a herança de Israel” (MISSAL ROMANO. Prefácio da Solenidade de São Pedro e São Paulo). Sim, a proclamação da fé em Jesus, o Cristo, o Messias, o Filho do Deus vivo (Mt 16,16; Mc 8,29; Lc 9,20), feita por São Pedro, é a rocha da Igreja. Ela se sustenta nessa rocha (cf. Mt 16,18s), e nunca será destruída, pois Cristo é a rocha firme. Não podemos esquecer que, no apostolo Pedro, encontramos um espirito impetuoso, capaz de tomar decisões rápidas e sem pensar. É o apostolo que não consegue entender que o Messias devia sofrer, é o mesmo que promete, sem pensar, que daria a vida por Cristo, que age com violência diante do soldado que iria prender Jesus, e sobretudo, é aquele que nega, por três vezes, que conhece Jesus. Quantas vezes nós, apóstolos de Cristo, que também professamos a fé nele como Senhor, como Salvador, não agimos assim? O que aconteceu com Pedro, a rocha, para se transformar na “coluna da Igreja”? Aqui, podemos apresentar uma reflexão muito bonita de um teólogo italiano, o arcebispo Dom Bruno Forte. Analisando o encontro de Jesus ressuscitado com São Pedro (Jo 21,15-17), em que por três vezes Jesus pergunta se Pedro o ama e as respostas do Pescador (após ressaltar que no grego amor pode ser: a) “filèo”, quer dizer amor de amizade, não exclusivo e total; b) “agapáo”, amor sem reserva, incondicionado e exigente e c) “eros”, amor carnal, relativo ao sexo), diz o teólogo italiano: “A primeira pergunta de Jesus a Pedro é: “Simão…tu me amas?” (agapàs-me). Antes da traição sua resposta certamente seria: “sim, te amo” (agapáo-se). Agora que conheceu a tristeza infinita da infidelidade, o drama da própria fraqueza, ele diz somente: “Senhor, eu gosto de ti” (filèo-se), ou seja, “te amo do meu pobre amor”. Na segunda vez Jesus insiste: “Simão, tu me amas (agapàs-me)?”. Pedro repete a resposta do seu humilde amor: “Kyrie, filèo-se, Senhor, eu gosto de ti como sei amar”. Mas, é na terceira pergunta que Jesus diz a Simão: “Filèis-me”, me amas?”. E Simão – que compreendeu que para Jesus basta o seu pobre amor, o único de que é capaz, e todavia triste porque o Senhor lhe havia dito assim – lhe responde: “Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que te amo (filèo-se)”. No momento do último envio, na situação chave da vida do Apóstolo, no momento em que se decide o sentido último da existência, o Apóstolo é chamado a entender: o Vivente (o Ressuscitado) não deixa sozinhos aqueles que o seguem. Diante do que o texto de Jo 21 mostra parece que é Jesus que se “converte” a Pedro, mais que Pedro a Jesus. E esta “conversão de Deus” é a que dá esperança ao discípulo, mesmo quando reconheceu a dor da infidelidade (cf. Jo 21,18-19; por três vezes Pedro nega Jesus. Se negamos a fé, muitas vezes é por querer “andamos por onde queremos”; mas, na maturidade da fé, o Ressuscitado nos conduz sob a vida cruz, a nossa esperança).

Peço a todos que, atendendo ao pedido do Papa Francisco, gesto de muita humildade, façamos uma prece por ele, neste dia. E, sobretudo, que a fé de Pedro, o seu testemunho e a certeza de que o Ressuscitado caminha conosco, fortaleçam nossa fé e nosso compromisso com o Evangelho de Cristo, alegria e esperança para todos.

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