Voz do Pastor › 12/04/2019

Semana Santa: vida de Cristo em nossa vida

Queridos irmãos e irmãs!

Neste domingo, dia 14 de abril, iniciaremos a Semana Santa de 2019. Para nós, na Arquidiocese de Natal, há uma “antecipação” da contemplação dos sofrimentos do Mestre de Nazaré, na Procissão do Encontro, realizada nesta sexta-feira. É o encontro da Mãe dolorosa com o Filho de Deus e seu Filho, “homem do sofrimento, experimentado na dor […] traspassado por causa de nossas rebeldias, estava sendo esmagado por nossos pecados. O castigo que teríamos que pagar caiu sobre ele, com os seus ferimentos veio a cura para nós” (Is 53,3.5).

A Semana Santa começa propriamente com o Domingo de Ramos ou Domingo da Paixão. Já neste Domingo lemos um trecho do relato da Paixão do Senhor, onde a Liturgia nos prepara para caminhar com Ele, aclamado como “bendito que vem em nome do Senhor”. Mas, a Semana Santa não é uma oportunidade de assistir o sofrimento de Jesus como se fosse uma “peça teatral”, mas um momento de graça para não esquecermos que Ele deu a vida por nós. Se nós nos sensibilizamos pelas histórias de sofrimento, de dor, de momentos difíceis pelos quais pessoas passam e, por isso mesmo, somos tocados, a Semana Santa nos coloca diante do Filho de Deus que assume o nosso sofrimento e a nossa dor, para nos conduzir à salvação. É um sofrimento que nos chama ao compromisso de Deus com o ser humano. Não é uma “desventura”, acontecida por um “azar” do personagem Jesus, ele que não teria tido sorte diante da perseguição dos poderosos. Quando Jesus disse que veio para dar a sua vida em resgate por nós, isso significa que Ele, por meio do qual todos fomos criados e por meio de quem existimos, Ele mesmo resgata-nos para que possamos viver em plenitude.

A Paixão de Cristo significa que nenhum ser humano, nenhum homem e nenhuma mulher, e com São Paulo podemos afirmar: até a criação, a natureza, os animais, as plantas, os oceanos, tudo o que foi criado, estão fora de sua redenção. Ele redime a criação inteira. Por isso, olhando para aquele que traspassaram, já não podemos ser indiferentes, já não podemos marginalizar, não temos mais como desprezar, nem confinar a uma distancia que humilha e despreza. Cristo morreu por todos. Nenhum ser humano está fora do alcance de sua entrega. Por isso, é contraditório para nós cristãos que se pense que é vontade de Deus que haja divisão ou desigualdade social. Está contra a redenção realizada na Cruz quem deseja um bem-estar que seja para alguns e outros não. Cristo não morreu em vão. A sua morte não foi só para aqueles que aceitam. Ele morreu por todos. Ele quer que todos sejam beneficiados pela sua redenção.

Quando cantarmos o “Aleluia”, no Sábado Santo, ele será o canto da esperança de que a vida seja transformada, renovada. Mas, não deve ser um canto que sai de nossa boca e basta. Deve ser um canto de paz entre os homens e as mulheres. Pois, se Cristo proclamou que “o que fizerdes aos mais pequeninos dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40), então só seremos pessoas ressuscitadas ou experimentaremos a força de sua ressurreição (cf. Fl 3,10), se vivermos, de verdade, concretamente, a caridade para com o próximo. Porque o Filho de Deus assumiu o sofrimento do homem e da mulher, agora a salvação e a glória só nos chegam através da consolação a esse mesmo sofrimento. “No crepúsculo da vida, seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz), pois o Cristo deu sua vida por amor ao mundo (cf. Jo 3,16).

Que todos tenham uma Semana Santa piedosa, mas sobretudo que todos aprendam dos mesmos sentimento de Cristo Jesus (cf. Fl 2,5-11).

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