Voz do Pastor › 25/08/2017

Ser catequista hoje

Queridos irmãos e irmãs!

Terminando o mês de agosto, mês das vocações, a Igreja apresenta, no último domingo, a figura do “catequista”. Uma figura tradicional, pois, faz recordar a nossa infância e adolescência: que não se lembra da sua catequista, do seu catequista? Antigamente, essa figura era bem específica, algumas pessoas poderiam ser chamadas de “catequistas”. Mas, hoje, com a renovação pastoral, a Igreja lembra que a “catequese” não é algo restrito a um tempo, e também, que ser catequista não é uma vocação para alguns. É preciso falar de uma catequese missionária
No Documento de Aparecida, fruto da V Conferência do Episcopado Latino-americano e caribenho, realizada em 2007, vemos expressa essa renovação nos números 278c, 286, 290, 294-295, 297-300, 303. A primeira dimensão diz respeito à relação com o discipulado. De fato, no número 278, ao apresentar os aspectos do processo de formação dos discípulos missionários, que consta de: a) Encontro com Jesus Cristo, b) Conversão, c) Discipulado, d) Comunhão, e) Missão, assim se expressa, quando fala do Discipulado: “A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia”. Assim, uma catequese permanente é fundamental para se viver o Discipulado. Esse discipulado é a grande esperança para toda a Igreja. Uma catequese permanente deverá ajudar os católicos a terem consciência de sua missão, pois, constata o Documento de Aparecida: “Temos alta porcentagem de católicos sem a cons­ciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com identidade cristã fraca e vulnerável” (n. 286). A catequese precisa ser mistagógica, isto é, levar a uma “uma experiência que introduz o cristão numa profunda e feliz celebração dos sacramentos, com toda a riqueza de seus sinais. Desse modo, a vida vem se transformando progressivamente pelos santos mistérios que se celebram, capacitando o cristão a transformar o mundo” (n. 290).

A renovação da catequese não é algo só para a paróquia. Chama-se a atenção para todo o Continente latino-americano e caribenho, mas também faz o reconhecimento das comissões diocesanas e paróquias de catequese. Isso exige que os catequistas estejam integrados nessas comissões, que participem das formações, e que contribuam para que elas sejam mais fecundas e eficientes (cf. n. 294-295).

No número 297, os bispos latino-americanos exortam a que se chegue a uma identidade católica mais pessoal e fundamentada: “O fortalecimento dessa identidade passa por uma catequese adequada que promova adesão pessoal e comunitária a Cristo, sobretudo nos mais fracos na fé”. E conclui, afirmando que essa é tarefa de toda a comunidade, “mas de maneira especial a nós que, como bispos, fomos chamados a servir à Igreja, pastoreando-a, conduzindo-a ao encontro com Jesus e ensinando-lhe a viver tudo o que Ele nos tem mandado”.

Para que haja uma catequese renovada e que leve ao encontro pessoal com Jesus Cristo, os bispos ainda afirmam que ela não deve se restringir à preparação dos sacramentos, isto é, não situada apenas em um ou dois anos: “A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas sim ‘itinerário catequético permanente’”. (n. 298), nem ser apensas doutrinal: “A catequese não pode se limitar a uma formação meramente doutrinal, mas precisa ser uma verdadeira escola de formação integral. Portanto, é necessário cultivar a amizade com Cristo na oração, o apreço pela celebração litúrgica, a experiência comunitária, o compromisso apostólico mediante um permanente serviço aos demais” (n. 299).

Por fim, ressalta o Documento de Aparecida: deve-se dar importância à catequese familiar (nn. 303): “A ‘catequese familiar’, implementada de diversas maneiras, tem-se revelado como ajuda proveitosa à unidade das famílias, oferecendo, além disso, possibilidade eficiente de formar os pais de família, os jovens e as crianças, para que sejam testemunhas firmes da fé em suas respectivas comunidades”.

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