Voz do Pastor › 30/03/2018

Tempo Pascal: vida nova nos foi dada

Queridos irmãos e irmãs!

A partir do dia 01 de abril, Domingo de Páscoa, a Igreja viverá o Tempo Pascal. É o tempo por excelência da vida da Igreja. Ele se prolonga até o dia de Pentecostes, esse ano celebrado no dia 20 de maio. Serão cinquenta dias em que a Igreja se rejubila pela Ressurreição do Senhor. É o mistério pascal vivenciado por todos os batizados. De fato, Jesus Cristo, “existindo em forma divina, não se apegou ao ser igual a Deus, mas despojou-se, assumindo a forma de escravo… Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome, para que, no Nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra…” (Fl 2,6.9.10).

Ele mesmo tinha predito a sua Ressurreição: “A partir de então, Jesus começou a mostrar aos discípulos que era necessário ele ir a Jerusalém, sofrer muito da parte dos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar” (Mt 16,21; 17,22-23; cf. Mc 8,31; 9,31; Lc 9,22) e ainda proclama para Marta, irmã de Lázaro: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11,25-26).

Mas, será sobretudo São Paulo que nos apresentará uma teologia da Ressurreição, onde o argumento une Ressurreição de Cristo e nossa ressurreição. O Apóstolo declara, na Carta aos Romanos: “Se o Espírito daquele que ressuscitou Cristo está em vós, aquele que ressuscitou Cristo dentre os mortos vivificará também vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós” (Rm 8,11). Na primeira Carta aos Coríntios, apresentando a Ressurreição de Cristo como ponto fundamental da fé e da pregação da Igreja, assim declara: “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a vossa fé… Pois, se os mortos não ressuscitam, então Cristo também não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados” (1Cor 15,12-14.1617). E depois, vem a declaração que se une ao que foi dito no início do capítulo 15: “Mas, na realidade, Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” (1Cor 15,20).

O Apóstolo é bem consciente disso e a sua vida, como também a sua “conversão” e vocação, se deve a esse fato fundamental: “Irmãos, quero lembrar-vos o evangelho que vos anunciei e que recebestes, e no qual estais firmes… De fato, eu vos transmiti, antes de tudo, o que eu mesmo tinha recebido, a saber: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e, ao terceiro dia, foi ressuscitado, segundo as Escrituras…” (1Cor 15,1.3-4). Por causa da fé na Ressurreição de Cristo, tendo como consequência a nossa ressurreição, São Paulo pode dizer: “pela graça de Deus eu sou o que sou. E a graça que ele reservou para mim não foi estéril” (1Cor 15,10).

assim, caros irmãos e irmãs, somos chamados a deixar que a salvação trazida à humanidade pelo Senhor Jesus, crucificado-ressuscitado, seja realidade em nossa vida. Ele é a Páscoa para nós. “Por ele somos salvos” (1Cor 15,2). Como São Paulo, e como tantas testemunhas do Ressuscitado na história da Igreja, homens e mulheres que viveram na aceitação do anúncio da vitória do Filho de Deus e filho de Maria, o Servo sofredor, também nós, hoje, somos convocados a fazer da Ressurreição de Cristo a esperança para a nossa ressurreição, e ainda, viver aqui e agora como membros do povo da Ressurreição, pois como afirma o profeta Isaías, no quarto cântico do Servo: “Ele [o Servo] verá uma descendência, prolongará seus dias, e por meio dele o desígnio de Deus triunfará” (Is 53,10b). O triunfo do desígnio de Deus significa vida nova para o homem e a mulher. Páscoa significa isso: a vida de Jesus continuando em nossa vida. Por isso, São Paulo também nos ensina: “De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num só Espírito, para formarmos um só corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito” (1Cor 12,13). E ainda: “Vós todos sois o corpo de Cristo” (1Cor 12,27).

Vivamos, pois, o Tempo Pascal, buscando ter os mesmos sentimentos de Cristo Jesus. Boa Páscoa para todos!

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