Voz do Pastor › 31/08/2018

Um caminho de solidariedade

Queridos irmãos e irmãs!

Pela quarta vez, a Igreja de Natal realiza a “Caminhada da Solidariedade”. Neste ano, com o tema: “Somando forças, multiplicando o bem”, o evento será em beneficio da “Liga Norte-riograndense contra o Câncer” e o Hospital Belarmina Monte, localizado no município de São Gonçalo do Amarante. A realização desta Caminhada quer ser um momento de conscientização desse importante princípio da Doutrina Social da Igreja.

A Igreja define esse princípio a partir do acontecimento redentor da Cruz: “O vértice insuperável da perspectiva indicada é a vida de Jesus de Nazaré, o Homem novo, solidário com a humanidade até à «morte de cruz» (Fl2,8): nele é sempre possível reconhecer o Sinal vivente daquele amor incomensurável e transcendente do Deus-conosco, que assume as enfermidades do seu povo, caminha com ele, salva-o e o constitui na unidade” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, n. 196). A solidariedade “confere particular relevo à intrínseca sociabilidade da pessoa humana, à igualdade de todos em dignidade e direitos, ao caminho comum dos homens e dos povos para uma unidade cada vez mais convicta. Nunca como hoje, houve uma consciência tão generalizada do liame de interdependência entre os homens e os povos, que se manifesta em qualquer nível” (PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Idem, n. 192). Na Encíclica Deus caritas est, o papa emérito Bento XVI, ao falar dos elementos constitutivos da caridade cristã, expõe o que a nossa solidariedade deve ter para que ela seja um autentico exemplo de caridade: em primeiro lugar, “A atividade caritativa cristã deve ser independente de partidos e ideologias. Não é um meio para mudar o mundo de maneira ideológica, nem está ao serviço de estratégias mundanas, mas é atualização aqui e agora daquele amor de que o homem sempre tem necessidade”; e segundo, “Além disso, a caridade não deve ser um meio em função daquilo que hoje é indicado como proselitismo. O amor é gratuito; não é realizado para alcançar outros fins. Isto, porém, não significa que a ação caritativa deva, por assim dizer, deixar Deus e Cristo de lado. Sempre está em jogo o homem todo. Muitas vezes é precisamente a ausência de Deus a raiz mais profunda do sofrimento. Quem realiza a caridade em nome da Igreja, nunca procurará impor aos outros a fé da Igreja. Sabe que o amor, na sua pureza e gratuidade, é o melhor testemunho do Deus em que acreditamos e pelo qual somos impelidos a ama” (BENTO XVI. Encíclica Deus caritas est, n. 31).

O Papa Francisco nos recorda sempre que a solidariedade é marca distintiva do discípulo missionário. Crer e ser solidário, evangelizar e buscar a promoção humano, o seu desenvolvimento, como nos recordou o Beato Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, estão intimamente conectados: “Confessar que o Espírito Santo atua em todos implica reconhecer que Ele procura permear toda a situação humana e todos os vínculos sociais: «O Espírito Santo possui uma inventiva infinita, própria da mente divina, que sabe prover a desfazer os nós das vicissitudes humanas mais complexas e impenetráveis». A evangelização procura colaborar também com esta ação libertadora do Espírito. O próprio mistério da Trindade nos recorda que somos criados à imagem desta comunhão divina, pelo que não podemos realizar-nos nem salvar-nos sozinhos. A partir do coração do Evangelho, reconhecemos a conexão íntima que existe entre evangelização e promoção humana, que se deve necessariamente exprimir e desenvolver em toda a ação evangelizadora. A aceitação do primeiro anúncio, que convida a deixar-se amar por Deus e a amá-lo com o amor que Ele mesmo nos comunica, provoca na vida da pessoa e nas suas ações uma primeira e fundamental reação: desejar, procurar e ter a peito o bem dos outros” (FRANCISCO. Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, Evangelii gaudium, n. 178).

A Caminhada da Solidariedade acontece neste domingo, 2 de setembro, iniciando às 15h, com a Missa, no Santuário dos Mártires, no bairro Nazaré, em Natal. Após a missa, os participantes seguirão em caminhada, encerrando no largo da Igreja matriz de São João Batista, no bairro Lagoa Seca.

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