Voz do Pastor › 09/01/2018

Um Deus que se apresenta

Queridos irmãos e irmãs!

No próximo domingo celebraremos a Festa da Epifania do Senhor (em Natal, dia 6, teremos a Festa de Reis, celebrada na Igreja dedicada aos Santos Reis, no bairro que tem o mesmo nome). Epifania quer dizer aparecimento ou manifestação divina. É o nome dado à festa que recorda a adoração dos Magos ao Menino Jesus. A Tradição da Igreja legou os nomes dos Magos e, por causa dos presentes, reconheceu que são três: Gaspar, Belchior e Baltasar.

A Epifania nos recorda esta verdade central de nossa Fé: o nosso Deus se apresenta a nós, se manifesta. O que isso quer dizer? Na sua pedagogia, ao criar o homem e a mulher, Deus se apresenta para caminhar com eles. Não que Deus seja visto, com os pés no chão andando com os homens. Mas, a Sagrada Escritura nos informa que Deus falou (cf. Gn 1,1-3: No princípio, quando Deus criou os céus e a terra, a terra era informe e vazia, as trevas cobriam o abismo e o espírito de Deus movia-se sobre a superfície das águas. Deus disse: “Faça-se a luz”, e a luz foi feita), apareceu, insuflou o seu Espírito no ser do homem (Gn 2,4b-7: Quando o SENHOR Deus fez a terra e os céus, e ainda não havia arbusto algum pelos campos, nem sequer uma planta germinara ainda, porque o SENHOR Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para a cultivar, e da terra brotava uma nascente que regava toda a superfície, então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e insuflou-lhe pelas narinas o sopro da vida, e o homem transformou-se num ser vivo), escolheu um povo, socorreu esse povo, libertou e ditou leis a esse povo, fez alianças, renovou continuamente o seu pacto (cf. Dt 26,16-19: Hoje, o SENHOR, teu Deus, ordena-te que cumpras estas leis e preceitos. Observa-os e cumpre-os com todo o teu coração e com toda a tua alma. Hoje, declaraste ao SENHOR que Ele seria o teu Deus e que andarias nos seus caminhos, observando as suas leis, os seus preceitos e os seus mandamentos. Por sua vez, o SENHOR declarou-te hoje que serias o seu povo particular, como te tinha dito, e que deverias observar todos os seus mandamentos; que te tornaria superior em honra, fama e esplendor a todos os povos que Ele tinha criado; que serias um povo consagrado ao SENHOR, teu Deus, como Ele tinha dito), falou através de porta-vozes, os profetas, habitou no meio dos homens, por meio da Tenda, do Templo, e ainda, por meio de sábios, foi louvado, adorado e servido. E isso, já exposto no Antigo Testamento. Ele mesmo prometeu que infundiria seu Espírito no espírito do homem, para torná-los capazes de observar as suas leis (cf. Ez 36,27: Dentro de vós porei o meu espírito, fazendo com que sigais as minhas leis e obedeçais e pratiqueis os meus preceitos). Tudo isso se cumpre e alcança seu cume com o nascimento do Filho de Deus (cf. Gl 4,4-6: Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adoção de filhos).

Do nascimento do Salvador, encarnação do Verbo divino até hoje, Deus não cessa de manifestar-se, de estar presente na nossa vida. A Igreja vive dessa presença, celebra esse mistério de amor, e é chamada a praticar esse amor, especialmente junto aos mais necessitados. De fato, essa é vida da Igreja: PALAVRA, EUCARISTIA, CARIDADE. Por meio da Palavra a Igreja conhece a vontade de Deus, recebe o testemunho da fé no Deus que vem ao encontro do homem; na Eucaristia, ela se alimenta, recebe a sua própria vida e na Caridade, vive o amor dando amor. Porque o nosso Deus não é um deus distante e sem vida, mas próximo e vivente, tão íntimo a nós e “mais íntimo a nós do que nós mesmos” (Santo Agostinho), um Deus que não somente se aproxima de nós, mas se torna o que nós somos, é um Deus fascinante, um Deus amante, um Deus que quer ser amado, isto é, realizar o maravilhoso intercâmbio: Ele se torna o que nós somos, para que nos tornemos o que Ele é. E isso, sem desfigurar a nossa natureza, pelo contrário, quando somos divinizados ou deificados, somos mais humanos. Um Deus assim só pode ser um “Deus misericordioso e clemente, paciente, cheio de bondade e pronto a renunciar aos castigos (cf. Jn 4,2), e assim proclamamos com o salmista: “Bendize, ó minha alma, o SENHOR, e todo o meu ser louve o seu nome santo…O SENHOR é misericordioso e compassivo, é paciente e cheio de amor(Sl 103,8).

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