Voz do Pastor › 04/10/2019

Um domingo dedicado à Palavra de Deus

Queridos irmãos e irmãs!

Com data de 30 de setembro, memória litúrgica de São Jerônimo, doutor da Igreja, aquele que traduziu a Bíblia para o Latim, a Vulgata, o Papa Francisco publicou uma Carta apostólica, em forma de Motu Proprio, com o título Aperuit illis, pela qual se institui o Domingo da Palavra de Deus. O título vem de Lc 24,45, que narra o encontro de Jesus ressuscitado com os dois discípulos de Emaús: “ABRIU-LHES o entendimento para compreenderem as Escrituras” (Lc 24, 45). “Trata-se de um dos últimos gestos realizados pelo Senhor ressuscitado, antes da sua Ascensão. Encontrando-se os discípulos reunidos, Jesus aparece-lhes, parte o pão com eles e abre-lhes o entendimento à compreensão das sagradas Escrituras” (FRANCISCO. Carta Apostólica Aperuit illis, n. 1).

Partindo desse encontro o Papa reconhece a importância vital da Sagrada Escritura para a nossa fé: “A relação entre o Ressuscitado, a comunidade dos crentes e a Sagrada Escritura é extremamente vital para a nossa identidade. Sem o Senhor que nos introduz na Sagrada Escritura, é impossível compreendê-la em profundidade; mas é verdade também o contrário, ou seja, que, sem a Sagrada Escritura, permanecem indecifráveis os acontecimentos da missão de Jesus e da sua Igreja no mundo. Como justamente escreve S. Jerónimo, ‘a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo’” (FRANCISCO. Idem, n. 1). Essa chamada para a importância da Sagrada Escritura, um dos pontos chave do Concílio Vaticano II, pois o mesmo promulgou um grande documento, a Constituição dogmática sobre a Revelação divina Dei Verbum, lembra a todos nós que a Palavra é o sinal por excelência de nossa relação com Deus: Deus nos falou, e, em Jesus Cristo tornado presente e vivo em nosso coração e na comunidade eclesial missionária pela ação do Espírito Santo, continua a nos falar, tornando-nos ouvintes e praticantes da Palavra.

O Papa Francisco, recordando um pedido feito por ele no término do Jubileu Extraordinário da Misericórdia (cf. Carta apostólica Misericordia et misera, 7), justifica a escolha de um domingo dedicado à Palavra de Deus: “. A dedicação dum domingo do Ano Litúrgico particularmente à Palavra de Deus permite, antes de mais nada, fazer a Igreja reviver o gesto do Ressuscitado que abre, também para nós, o tesouro da sua Palavra, para podermos ser no mundo arautos desta riqueza inexaurível” (FRANCISCO. Idem, 2).

Assim, no número 3 da Carta Apostólica declara: “Portanto estabeleço que o III Domingo do Tempo Comum seja dedicado à celebração, reflexão e divulgação da Palavra de Deus”. Com essa iniciativa o Papa deseja que a Palavra de Deus seja vista como caminho a seguir para se achegar a uma unidade autêntica e sólida; tornar evidente o caráter normativo que possui a Palavra de Deus; dar destaque para o serviço que se presta à Palavra do Senhor, especialmente por meio da homilia; chamar a atenção para a importância da proclamação da Palavra de Deus na liturgia; fazer emergir a importância de continuar na vida diária a leitura, o aprofundamento e a oração com a Sagrada Escritura, com particular referência à lectio divina (cf. n. 3). Um desejo expresso aos catequistas: sintam a urgência de se renovar através da familiaridade e estudo das Sagradas Escrituras.

Por fim, um ponto merece especial destaque: a provocação que nos vem da Sagrada Escritura em relação à caridade. Diz-nos o Papa: “Escutar as sagradas Escrituras para praticar a misericórdia: este é um grande desafio lançado à nossa vida. A Palavra de Deus é capaz de abrir os nossos olhos, permitindo-nos sair do individualismo que leva à asfixia e à esterilidade enquanto abre a estrada da partilha e da solidariedade” (n. 13).

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