Voz do Pastor › 21/09/2018

Uma Igreja sinodal

Queridos irmãos e irmãs!

Com data de 15 de setembro, o Papa Francisco promulgou a Constituição Apostólica “Episcopalis communio”, sobre o Sínodo dos Bispos. Querido pelos padres conciliares e instituído pelo Papa Beato Paulo VI, que será canonizado no próximo dia 14 de outubro, essa instituição da Igreja Católica, já com 50 anos de existência, fez a Igreja experimentar de modo bem intenso a necessidade e a beleza de “caminhar juntos” (FRANCISCO. Discurso na comemoração do 50º aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos, 17 de outubro de 2015).

Na ocasião de celebração do 50º aniversário da instituição do Sínodo dos Bispos, Francisco afirmou: “o caminho da sinodalidade é o caminho que Deus deseja para a Igreja do terceiro milênio”. Citando a Constituição dogmática sobre a Igreja, “Lumen gentium”, o Papa Francisco lembra que o Povo de Deus é constituído por todos batizados chamados a formar uma casa espiritual e um sacerdócio santo, e que a totalidade dos fiéis, por causa da unção do Santo, não pode errar no crer, manifestado no chamado sentido sobrenatural da fé, o “sensus fidei”. Na Exortação Apostólica “Evangelii gaudium”, ele também afirmou: cada batizado, qualquer que seja a sua função na Igreja e o grau de instrução da sua fé, é um sujeito ativo na evangelização e seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas receptor das suas ações (FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 120).

Após essas citações, o Papa apresenta as características de uma Igreja sinodal. Uma Igreja sinodal é uma Igreja da escuta. Trata-se de uma escuta recíproca, onde cada um tem algo a aprender: o Povo fiel, o Colégio episcopal, o Bispo de Roma. O primeiro a escutar é o Povo, que participa da função profética de Cristo, prossegue escutando os pastores e por fim, o caminho sinodal culmina escutando o Bispo de Roma, que é o Papa. A sinodalidade serve como quadro interpretativo mais adequado para compreender o mesmo ministério hierárquico. Tal ministério acontece numa Igreja servidora, cuja pirâmide é invertida, “o vértice se encontra abaixo da base”, “a única autoridade é a autoridade do serviço” e “o único poder é o poder da cruz”. Por fim, o Papa ressalta os níveis onde a sinodalidade manifesta um dinamismo de comunhão: as Igrejas Particulares, isto é, as Dioceses, as Conferências Episcopais e toda a Igreja.

Na Constituição Apostólica Episcopalis communio o Papa Francisco afirma: “No curso de mais de cinquenta anos, as Assembleias do Sínodo se revelaram um válido instrumento de conhecimento recíproco entre os Bispos, oração comum, confronto leal, aprofundamento da doutrina cristã, reforma das estruturas eclesiásticas, promoção da atividade pastoral em todo o mundo. Neste modo, tais Assembleias não só se configuraram como um lugar privilegiado de interpretação e recepção do rico magistério conciliar, mas também ofereceram um notável impulso ao sucessivo magistério pontifício” (n. 1).

“O Papa Francisco, ainda no discurso das comemorações dos 50 anos do Sínodo dos Bispos, cita São João Crisóstomo: ‘Igreja e sínodo são sinônimos’ (Expl. in Ps., 49). Se esta sobreposição é verdadeira, então é necessário falar de ‘Igreja constitutivamente sinodal’, e da sinodalidade como a forma vinculante em que se declina a communio eclesial. Poderia se dizer, com um pouco de audácia, que a Constituição Apostólica Episcopalis communio tem como objetivo regular imediatamente a celebração das assembleias sinodais, tendo, porém, como horizonte uma Igreja toda sinodal, rumo à qual todos somos chamados a andar…” [A Constituição Apostólica], “retomando a herança do Concílio Vaticano II, propõe uma via católica da sinodalidade que empenha toda a Igreja e todos os seus sujeitos neste processo: o Povo de Deus, o Colégio dos Bispos, o Bispo de Roma” (Prof. Dario Vitali. Conferencia de imprensa de apresentação da Constituição Apostólica Episcopalis communio, Sala de Imprensa da Santa Sé,18 de setembro de 2018).

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