Voz do Pastor › 02/09/2016

Uma nova obra de misericórdia

Queridos irmãos e irmãs!

No dia 1º de setembro, a Igreja celebrou o “Dia Mundial de Oração pela Criação”. A iniciativa do Papa Francisco aconteceu após a publicação da Encíclica Laudato sí, em 24 de maio de 2015. Este foi um reconhecimento do papel guia do caro Patriarca Ecumênico Bartolomeu, o qual há muito tempo compreendeu que o abuso dos dons da criação por parte dos seres humanos, constituía um grave pecado. Desde 1989 que o Patriarca de Constantinopla, na época Dimitrius, tinha estabelecido o dia 1º de setembro como dia de oração pela salvaguarda do criado. Depois, seu sucessor o Patriarca Bartolomeu, dedicou e dedica muita atenção ao tema do cuidado com a criação, o que lhe valeu ser chamado de “o Patriarca verde”. O Papa Francisco acolheu uma sugestão do representante do Patriarcado de Constantinopla, quando da apresentação da Encíclica Laudatosí, em Roma, no dia 18 de junho de 2015. A iniciativa do Papa se coloca dentro da sensibilidade ecumênica que o tema da ecologia evoca. É um modo de dar testemunho cristão o fato de que nesse mesmo dia, varias confissões cristãs rezem juntas para que todos se convertam e cuidem da casa comum, lugar da Revelação divina, manifestação e comunicação de Deus ao homem e à mulher.

Na mensagem para esse dia o Papa Francisco lembrou que “a ocorrência [deste dia] tem como objetivo oferecer ‘a cada fiel e às comunidades a preciosa oportunidade para renovar a adesão pessoal à sua vocação de guardiões da criação, elevando a Deus o agradecimento pela obra maravilhosa que Ele confiou ao nosso cuidado, invocando a sua ajuda para a proteção da criação e a sua misericórdia pelos pecados cometidos contra o mundo em que vivemos’”. Antes de concluir a sua mensagem com uma belíssima oração, que ele pede que rezemos todos os dias, propõe um acréscimo à lista das Obras de misericórdia: “tomo a liberdade de propor um complemento aos dois elencos de sete obras de misericórdia, acrescentando a cada um ‘o cuidado da casa comum’”. A sua justificativa é de que a vida humana em sua totalidade inclui o cuidado da casa comum. E explica: “Como obra de misericórdia espiritual, o cuidado da casa comum requer a grata contemplação do mundo, que nos permite descobrir qualquer ensinamento que Deus nos quer transmitir através de cada coisa. Como obra de misericórdia corporal, o cuidado da casa comum requer aqueles simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo e se manifesta o amor em todas as ações que procuram construir um mundo melhor”.

Concluo com a oração que serve de conclusão da mensagem do Papa e desejo que todos rezem e trabalhem para o cuidado da casa comum seja uma realidade na missão de todos nós: “Ó Deus dos pobres,ajudai-nos a resgatar os abandonados
e esquecidos desta terraque valem tanto aos vossos olhos (…).Ó Deus de amor, mostrai-nos o nosso lugar neste mundocomo instrumentos do vosso carinho por todos os seres desta terra.Ó Deus de misericórdia, concedei-nos a graça de receber o vosso perdãoe transmitir a vossa misericórdia em toda a nossa casa comum.Louvado sejais.
Amém
”.

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