Voz do Pastor › 02/11/2018

Uma palavra de esperança

Queridos irmãos e irmãs!

Nesta sexta-feira, 2 de novembro, a Igreja celebra o Dia de Finados. É uma comemoração onde são reunidas as intenções por todos os que “partiram desta vida, marcados com o sinal da fé” (MISSAL ROMANO. Oração Eucarística I), ou ainda, os que “morreram na paz do vosso Cristo e de todos os mortos, dos quais só Vós conhecestes a fé” (MISSAL ROMANO. Oração Eucarística IV). Que essa celebração conforte os corações de todos os que perderam seus entes queridos.

A Igreja lembra os mortos. Essa lembrança está fortemente ancorada na fé cristão. Nós cremos na vida eterna, afirmamos no Símbolo Apostólico. Não a vida aqui, mas esta nossa vida levada à plenitude divina. Ou melhor, a vida de fé, de intimidade com Deus e de ação missionária, essa mesma que vivemos nas nossas comunidades, nos serviços, movimentos e pastorais. Vida plena, completa e realizada, unida para sempre ao Mistério Santo, que é Deus Trindade de Amor. São muitas as referências na Palavra de Deus, sejam elas do ensinamento de Jesus, sejam as que nos vieram da pena do “Apóstolo dos gentios”. As palavras de Jesus são consoladoras, cheias de esperança e, sobretudo, frutos do amor de Deus.

Mas, antes de invocar o ensinamento de Jesus, permito comentar uma página excepcional, gratificante e que resume bem a genuína “Teologia do Antigo Testamento”: “O mundo inteiro, diante de ti, é como um pequenino peso na balança, como uma gota de orvalho da manhã que cai sobre a terra. Entretanto, de todos tens compaixão porque tudo podes, e fechas os olhos aos pecados dos mortais, para que se arrependam. Sim, amas tudo o que existe e não desprezas nada do que fizeste; porque, se odiasses alguma coisa, não a terias criado. Da mesma forma, como poderia alguma coisa subsistir, se não a tivesses querido? Ou como poderia ser mantida na existência, se por ti não tivesse sido chamada? A todos, porém, tratas com bondade, porque tudo é teu, Senhor, amigo da vida!” (Sb 11,22-26). O amor que Deus tem pelo ser humano é o amor que é Ele mesmo. Por isso, ao criar, por amor, Ele cria para pertencer a Ele e não para se perder como uma folha ao vento ou uma gota de orvalho. Ele nos mantém na existência, e na sua existência, Ele nos conduz ao convívio eterno.

Jesus se apresenta como “Ressurreição e Vida”. No episódio da ressurreição de Lázaro, as afirmações de Jesus são cheias de conforto e esperança: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que tenha morrido, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá jamais” (Jo 11,25s). Podemos interpretar essa palavra de Jesus tendo diante de nós os dois sentidos da morte: primeiro, da morte biológica, que caberá a todos, o Senhor nos livrará do seu sentido de fim, dando-nos a vida eterna; da morte, causada pelo pecado, o Senhor nos livra, dando-nos a sua graça redentora. E dessa libertação, já estamos vivendo, agora. Outro ensinamento de Jesus, orientado no sentido de relação com Deus, que começa aqui, no tempo presente, traz esperança e confiança no poder amoroso de Deus: “Não se perturbe o vosso coração! Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fosse assim, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E depois que eu tiver ido e preparado um lugar para vós, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que, onde eu estiver, estejais vós também” (Jo 14,1-3).

No ensinamento de São Paulo encontramos, também, elementos que enraízam mais ainda a nossa fé na vida eterna. O Apóstolo prega sobre a Ressurreição de Cristo e une esse evento com a nossa ressurreição. “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, colmo podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a vossa fé” (1Cor 15,12-14). Cristo ressuscitou como primícias, ainda dirá o Apóstolo, o mesmo que reconhece que Cristo é a cabeça do corpo e nós os membros (cf. 1Cor 12,27; ver também Cl 1,18). A esperança do Apóstolo se expressa, ainda, no caminho da Ressurreição de Cristo até a última ressurreição dos que creem nele: “Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão vivificados. Cada qual, porém, na sua própria categoria: como primícias, Cristo, depois, os que pertencem a Cristo, por ocasião de sua vinda. A seguir, será o fim, quando Ele entregar a realeza a seu Deus e Pai… o último inimigo a ser destruído será a morte” (1Cor 15,22-26).

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