Voz do Pastor › 26/05/2017

Uma Semana de Oração pela unidade dos cristãos

Queridos irmãos e irmãs!

No Tempo Pascal, entre a Ascensão do Senhor, celebrada neste ano em 28 de maio, e a Solenidade de Pentecostes, no próximo 4 de junho, a Igreja celebra a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. No Hemisfério Norte, tal semana acontece de 18 a 25 de janeiro. Este ano o tema é: “Reconciliação – é o amor de Cristo que nos move”, inspirado em 2Cor 5,15-20. A mensagem central é a afirmação de que é a graça de Deus que nos reconcilia. Este tema da reconciliação as Igrejas vivem dentro da celebração dos 500 anos da Reforma, ocorrida em 1517, na Alemanha.

A unidade dos cristãos é um desejo que, desde o Concílio Vaticano II, se fortaleceu na Igreja. Com o Decreto conciliar Unitatis redintegratio, a Igreja colocou as bases para o Ecumenismo católico: Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos é um dos principais propósitos do sagrado Concílio Ecuménico Vaticano II. Pois Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja. Todavia, são numerosas as Comunhões cristãs que se apresentam aos homens como a verdadeira herança de Jesus Cristo. Todos, na verdade, se professam discípulos do Senhor, mas têm pareceres diversos e caminham por rumos diferentes, como se o próprio Cristo estivesse dividido (cf. 1Cor 1,13). Esta divisão, porém, contradiz abertamente a vontade de Cristo, e é escândalo para o mundo, como também prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda a criatura (CONCÍLIO VATICANO II. Decreto Unitatis redintegratio, 1). Os Papas, São João XXIII, Beato Paulo VI, São João Paulo II e Bento XVI sempre se mostraram sensíveis ao diálogo ecumênico. A busca pela unidade do rebanho de Cristo animou o papa Roncalli a convocar o 21º Concílio da Igreja Católica com esse objetivo; já o seu sucessor, o papa Paulo VI, promulgou o Decreto acima citado, no dia 24 de novembro de 1964; antes, nesse mesmo ano, restabeleceu as relações com as Igrejas Ortodoxas, no encontro histórico, na Terra Santa, com o Patriarca de Constantinopla, Atenágoras I; o santo papa polonês, João Paulo II, dedicou ao tema do Ecumenismo a sua 12ª carta encíclica, Ut unum sint, de 25 de maio de 1995, onde expressou: “O Espírito Santo nos dê a sua luz, e ilumine todos os pastores e os teólogos das nossas Igrejas, para que possamos procurar, evidentemente juntos, as formas mediante as quais este ministério possa realizar um serviço de amor, reconhecido por uns e por outros” (JOÃO PAULO II. Encíclica Ut unum sint, n. 95); e o mesmo pontífice já havia declarado Beata, em 25 de janeiro de 1983, uma freira trapista, Maria Gabriela da Unidade. A Irmã Maria Gabriela, chamada pela sua vocação a estar fora do mundo, dedicou a existência à meditação e à oração, centradas no capítulo 17 do Evangelho de S. João, oferecendo-as pela unidade dos cristãos; já o Papa Bento XVI declarou no início do seu Pontificado, que a unidade dos cristãos era sua meta principal. E Francisco, o papa argentino, faz do encontro, da proximidade a marca do seu ministério petrino. Encontrou-se com o Patriarca de Moscou, após longos anos de distanciamento, entrou em comunhão com o Patriarca de Constantinopla na questão da ecologia, e celebrou, juntamente com os irmãos luteranos o início das comemorações dos 500 anos da Reforma, na cidade de Malmö, na Suécia.

O exemplo dos nossos Papas, o testemunho da Beata Irmã Maria Gabriela nos ensine e nos dê a coragem para seguir no caminho de busca pela unidade, que se dá pelo encontro e pelo respeito aos outros irmãos e irmãs. A fé em Cristo não nos separa, nos une, pois nele temos a convicção de que somos todos irmãos. Rezemos pela unidade, pois a oração de Cristo ao Pai (“para que todos sejam um – Jo 17,21 ) é modelo para todos, sempre e em qualquer lugar.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.