Artigos › 13/07/2014

O Legado Imaterial da Copa

No dia em que a seleção alemã impôs à escrete brasileira a maior derrota na história de todas as copas do mundo, foi-me pedido escrever algumas linhas sobre que legado deixa o campeonato do mundo de futebol – Copa 2014 no Brasil – para a “pátria amada, Brasil”. Não deixa de ser desafiante tal desiderato. No entanto, alguns sinais de luz que irrompem da consciência brasiliana nos indicam que o Povo, que congrega a grande Nação que habita nesta Terra da Santa Cruz, conquistou, sim, um legado nada desprezível com a realização desta Copa no Brasil. Um legado de grande significado para a maturidade da consciência de cidadania a que tanto almejamos. Esse legado de que falo não se assenta nas grandes obras físicas prometidas e pouco realizadas. Nem nas grandes oportunidades de negócios sugeridas, e pouco aproveitadas. Falo de um legado imaterial, constituinte da maior qualidade de que somos portadores: a nossa brasilidade. O nosso jeito humano de ser brasileiro. Que se traduz no acolhimento que dispensamos aos nossos visitantes, indistintamente. Este gesto tem deixado nossos visitantes encantados por se sentirem incluídos na festa. Ninguém fica de fora. Celebra-se a unidade dos povos na diversidade de um mundo globalizado. Porque aqui é e sempre foi assim. O que recebemos como legado de nossos antepassados ainda hoje é cultivado, quando oferecemos ao mundo o que temos de melhor: a alegria de sermos brasileiros. Um povo que traz em sua gênese a vocação para conviver com a diversidade na pluralidade de sua expressão. Outro sinal de luz se manifesta no comportamento revelado ante o prenúncio catastrófico do que seria a copa, sob a alegação de que nada funcionaria. Estádios não estariam prontos. Caos nos aeroportos. Insegurança para os transeuntes. Protestos violentos aconteceriam. E foram tantas as notícias agourentas trombeteadas por parte da grande mídia, que parecia que o Brasil estaria prestes a perder seus valores, sua beleza, o seu povo, a cultura de paz e da unidade que está plasmada e embebecida no calor humano que brota das relações interpessoais de nossa gente. Pelo contrário. Demos um banho de civilidade, hospitalidade e de capacidade de fazer e construir na diversidade dos desafios que assumimos. Quanta maturidade revelada! Já não somos um povo tão vulnerável à manipulação de quem quer que seja. A catastrofobia propalada por parte da grande mídia já não mais engana nem amedronta. Aos poucos cada brasileiro se reveste das conquistas legadas pela cidadania que nos qualifica como sujeitos soberanos desta “pátria amada, Brasil”. Agora, passada a Copa do Mundo, o brasileiro continuará atento à conclusão das obras de mobilidade urbana ainda não concluídas. Voltará a exigir dos governantes políticas públicas de saúde, educação, segurança e transporte, “padrão Fifa”. Aliás, por falar na Fifa, aqui cabe o registro do exemplo espetacular que o Brasil deu para o mundo ao enquadrar a Fifa com a prisão da gangue dos ingressos. Não se tem notícia de algo parecido na história das copas. Pois é. Isso aconteceu no Brasil. Atuação da polícia brasileira.
Não ficamos com troféu da Copa 2014. Porém, creio que proclamamos para o mundo e mostramos, não por palavras, mas por gestos concretos, o que temos de melhor: a alegria e o calor humano de que somos portadores e, que, com simplicidade, externamos ao receber os visitantes em nossa casa para festejar o esporte mais universal e inclusivo que o mundo conhece. Viva o Brasil!

Diác. Francisco Teixeira
Assessor jurídico da Arquidiocese de Natal

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